Conectar experiências, dividir vivências e compartilhar emoções. A partir desta ideia é que o Circuito Universitário de Cultura e Arte (CUCA) da UNE no primeiro dia da caravana, construiu um debate sobre a “Cultura em rede – Conexões culturais no Brasil”, no Cineclube Lanterna Mágica na UNISANTA.

Conduzindo o bate papo, o coordenador geral do CUCA, Fellipe Redó e o produtor cultural Alexandre Santini fizeram as honras da casa e introduziram um pouco da realidade do Circuito Universitário no país. Presente em 16 estados brasileiros, a rede cultural estudantil formada durante a 2ª Bienal da UNE em 2001, possui o objetivo de expandir ainda mais suas atividades, alcançando também uma maior atuação junto aos estudantes de todo o estado paulista.

A partir da ideia da multicultura, onde cada ser tem uma forma de pensar, agir e sentir, a reunião tratou de discutir a questão da interdisciplinaridade cultural, através da troca de cada vivência artística de cada localidade. “A Caravana trabalha no próprio conceito que o nome gera: circulação. É assim que o CUCA quer se colocar, em constante movimento com as entidades estudantis, com as organizações, institutos, com os Pontos de Culturas e os circuitos, estando presente nos coletivos em redes”, anseia Redó.

Já faz muito tempo que os estudantes perceberam que a união entre educação e cultura vai muito além da extensão acadêmica. Para Santini, a vontade de transformação deve sempre surgir de dentro das instituições, mas com agilidade. “É interessante pensar que a partir deste processo, consiga-se gerar algum tipo de ação mais orgânica em conjunto, efetivo para que estes conceitos de cultura, cidadania e educação comecem a permear mais o movimento estudantil como função política”, acredita.

Participaram da reunião, a integrante do Ponto de Cultura Vozes de Senzala e da Rede Fora do Eixo, Natalia Freire de Moura e os representantes do Ponto de Cultura Nina Griô, Everaldo Cândido, Cisco e Marcelo das Histórias.

A presença do diretor teatral colombiano Jorge Blandón também foi imprescindível no debate. O artista, contou um pouco da sua experiência à frente há 23 anos da Corporação Cultural Nuestra Gente, uma espécie de ponto de cultura na cidade de Medellín, na Colômbia. Com a popularização de sua arte, Blandón vem conseguindo obter bons resultados na região periférica onde atua.

Com o seu trabalho consistido em redes culturais, ele acredita que o intercâmbio de emoções sempre gera um lado positivo. “As redes nada mais são do que as experiências de nossa gente. Sinto que as cidades passam por uma grande oportunidade de poderem trocar de formas , se dando conta do quanto são parecidas e de todas as oportunidades que as cercam. As diferenças são sempre uma grande oportunidade de se fazer uma transformação”, afirma Blandón.

Para o presidente da UEE-SP, Alexandre Silva realizar um encontro deste porte durante o Circuito é uma forma de ampliar ainda mais o acesso à cultura do estado “Essas caravanas tem um caráter importante de mudar as dinâmicas, as pessoas e até o ar da própria universidade.Eu acredito que este é o grande desafio que a gente tem. Nessa reunião do CUCA é muito bom encontrar aqui a junção de tantas entidades e grupos para essa troca de experiências”.

“Uma caravana que vai passar por todas estas regiões do estado, propondo mudar a agenda das universidades, tem que apresentar uma alternativa para que os estudantes possam se expressar das mais variadas forma”, completa o presidente..

Thatiane Ferrari, de Santos-SP
Foto: Leo Souza