Criolo construiu reputação na cena do rap paulistano. Alçou voo com o álbum “Nó na Orelha” (2011) e aprimorou a guinada rumo a outros gêneros, como afrobeat e samba, no contundente Convoque seu Buda (2014).
Poeta urbano que alia crítica social e humor refinado, ele rejeita o rótulo de artista e diz: ‘Sou um estudante’. O paulistano do Grajaú fecha nesta quinta (5) a série de shows do palco livre da 9ª Bienal da UNE, num dos momentos mais esperados do festival. Confirma a ideia que Criolo trocou com o TUPINIKIM, o jornal diário do festival.
As batalhas de MCs, terreno que você conhece muito bem, foram um ponto alto nesta Bienal da UNE. Como vê o papel do freestyle como meio de expressão jovem?
É uma expressão de arte. Eu vivi 28 anos no rap, então pra mim sempre foi algo forte, algo que fez parte da minha criação. Nosso cotidiano é isso.
A música “Convoque seu Buda” é um chamado à ação e uma crítica ao “ativismo de sofá”?
Procuro falar nesta canção da importância de encontrar seu equilíbrio, porque nós vivemos uma guerra fria, uma guerra silenciosa. É importante você procurar o equilíbrio, relembrar que é capaz de construir coisas positivas.
Você construiu reputação no rap, mas tem feito uma imersão cada vez maior na música brasileira, por gêneros como samba, afrobeat e reggae. Pretende aprofundar esse caminho?
Não sei, a gente vão fazendo com naturalidade. É o coração que rege a gente. Ainda mais na arte: é ela que escolhe, é a música que escolhe.
O tema da Bienal da UNE deste ano é #vozesdobrasil, que remete à diversidade das expressões. Como o artista deve buscar o equilíbrio entre se fazer compreendido, ser literal, e deixar as mensagens abertas a reinterpretações?
Não sou artista, há tantas personalidades grandiosas no Brasil. Sou um estudante. Aqui é uma passagem, e nossa única certeza é a morte.
Há uma expectativa grande no Rio e na Bienal para seu show do festival. O que vai levar?
Aguardem. Vou cantar música com o coração, e há essa oportunidade de poder cantar em praça pública no Rio, lugar de tanta gente talentosa. Esses jovens são nosso futuro, que tenham a mente limpa, que possam observar ao redor.
Da Redação