O dia começou em apreensão. A Prefeitura do Rio de Janeiro convocou entrevista nas primeiras horas da manhã para anunciar a possibilidade da maior tempestade na cidade nos últimos três anos. Empresas dispensaram os funcionários mais cedo, órgãos de Defesa Civil em alerta, todos de olho nas nuvens.
A expectativa para o show de Criolo no encerramento do palco livre da 9a Bienal da UNE era grande, e as redes sociais da entidade recebiam dezenas de questionamentos de estudantes sobre a possibilidade de cancelamento da apresentação.
Ao final, a temida chuva não veio, e tudo só contribuiu para compor o clima mágico de uma apresentação histórica, que lotou a Praça dos Arcos da Lapa e arrebatou o público.
Saudado pela presidenta da UNE, Vic Barros, como o “grande poeta da nossa geração”, Criolo subiu ao palco por volta das 22h30 para confirmar que é hoje o dono da performance mais intensa da música brasileira.
“Convoque seu Buda”, a convocação à ação que dá nome ao álbum mais recente do paulistano, abriu a apresentação, seguida pela nova “Esquiva da Esgrima” e por “Subirusdoistiozin”, de “Nó na Orelha” (2011).
Sob o comando de Daniel Ganjaman nos teclados e programação, Criolo conduziu a noite para cerca de 30 mil pessoas, como registrou, do alto, o drone que fazia imagens da noite mais importante da Bienal das Bienais.
Ao introduzir “Duas de Cinco”, Criolo incitou o público a “cantar com o coração”. Mencionou a crise da água como “humilhante” e despejou “esperança no coração” e “força” para a juventude que lotou a Lapa.
DJ Dan Dan (voz e pick-ups) saudou os movimentos de transformação e a Nação Hip Hop Brasil. Deixou ainda a mensagem politica mais forte da noite, ao pedir um basta às “mortes de jovens negros nas favelas”.
“Chega de preconceito, viva a luta das mulheres, chega de homofobia. E vamos gritar bem alto para o amor”, afirmou Dan Dan, para em seguida ouvir a resposta do público, em coro, pedindo o fim da Polícia Militar. “Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar”, foi o grito que ecoou na Lapa.
Ao encerrar o show, Criolo pediu a todos que fossem embora em segurança e agradeceu a todos os responsáveis pelo evento, dos seguranças aos profissionais da limpeza e alimentação.
“Todo mundo é filho de Deus. Não pode ter guerra entre nós. É isso que o sistema quer. Está na mão de vocês. Convoque seu Buda!”, foi a mensagem final de uma noite única de um festival histórico.
Da Redação