Na noite do último sábado (4/4), o campus I da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), palco da IV edição do Encontro de Estudantes Negros, Negras e Cotistas da UNE (Enune), transformou-se em uma grande sala de bate-papo sobre o enfrentamento ao racismo e os desafios existentes para a juventude negra. Na ocasião, o professor, coordenador da UNEafro e autor do blog ”Negro Belchior”, Douglas Belchior, conversou com os cerca de 500 estudantes presentes no evento.

”Quando vou numa universidade hoje eu encontro um coletivo de estudantes negros em cada curso. Isso não existia há uns anos. A gente tinha que recorrer a um DCE branco com cultura branca. Hoje a negrada tem uma referência de estudo , teoria de bibliografia, e esse encontro é um espaço de organização muito importante para avançarmos ainda mais nas lutas”, falou o blogueiro.

Belchior respondeu a perguntas dos estudantes sobre o clima político no país, democratização da mídia, genocídio da juventude negra, redução da maioridade penal e também sobre os pedidos de intervenção militar que ecoaram em algumas manifestações realizadas recentemente no Brasil.

Para ele, a intervenção militar nunca deixou de existir nas periferias. ”Para o preto de favela não tem diferença nenhuma entre ditadura e democracia. Ao passo que a juventude negra é exterminada nesse locais devemos nos perguntar porque o pressuposto para a luta dos direitos humanos no Brasil são crimes do passado e não o que acontece ali, diariamente na periferia”, provocou.

Quanto a democratização da mídia, Belchior afirmou que o movimento negro deve se apoderar cada vez mais dessa batalha. ”Nós temos capacidade, inteligência e resiliência para transformar artifícios como a internet numa janela para falar com o mundo as coisas que a gente acredita e defende. Não vamos ter uma Rede Globo do nosso lado. Por isso temos que nos apropriar das mídias alternativas e enfrentar o discurso da direita”, disse.

Com cerca de uma hora de duração o bate-papo com o blogueiro foi uma das grandes atrações do Enune.

Para o estudante paulista Jonathan Silva, a atividade foi responsável por fomentar e estimular ainda mais o engajamento dos jovens ali presentes. ” Tivemos a oportunidade de debater tantos assuntos, fazer perguntas e questionar nossa organização. Com certeza sairemos daqui ainda mais forte para buscar um novo modelo de sociedade baseado na igualdade e no respeito”, contou.

Renata Bars