No Rio Grande do Sul, na Bahia, em Alagoas, em Pernambuco os problemas nas universidades estaduais e municipais parecem ser os mesmos. Falta de investimentos, aparato sucateado, falta de continuidade de ações e vontade política para conseguir recursos.
Uma sala lotada de alunos das estaduais e municipais veio ao Congresso da UNE compartilhar seus problemas e trazer a sua vontade de mudar a realidade. “A gente não quer só ensino, mas também extensão e pesquisa”, foi uma reivindicação unânime.
Nos últimos anos houve grande processo de interiorização e expansão das universidades no Brasil, bem como no número de cursos o que tem democratizado o ingresso do jovem brasileiro ao Ensino Superior. No entanto, ainda falta assistência, estrutura, qualidade de ensino e investimento em ciência.
Um estudante de Direito da Universidade de Pernambuco (UPE), do campus Arcoverde, alertou que a consequência desses problemas pode ser a formação de vários profissionais com bases irregulares. “Temos que propalar tudo que discutimos aqui nas nossas salas de aula. Só com luta vamos conseguir mais investimentos”, afirmou.
Estrutura
Grande parte das estaduais está largada e na falência, afirmou um estudante da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). “As demais estão largadas e na falência”, ressaltou. Outra estudante da (UPE) do campus Nazaré da Mata contou que o teto do campus recém-inaugurado literalmente caiu há pouco tempo.
Um estudante da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) contou que seu campus em Três Passos não tem sede e funciona no espaço de escolas do município. “Não temos laboratórios, bibliotecas, e são apenas cinco professores para três cursos”, disse. Outra jovem da Universidade Estadual do Piauí (UESP) relatou que, em meio ao calor nordestino, consta a existência de um único ar-condicionado para toda universidade.
Qualidade de Ensino
A formação do corpo docente também é uma preocupação dos estudantes. Mestres e doutores são maioria apenas nas federais e particulares. O regime de professores contratados sem concurso também impossibilita, segundo os estudantes, projetos de extensão e o comprometimento dos docentes com as universidades.
Luta
O paranaense Luis André, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), lembrou da pouca utilização do Pnaest – Programa Nacional de Assistência Estudantil. Para ele uma boa alternativa ainda é cobrar investimento do governo federal que tem mais recursos que o os governos estaduais.
Uma estudante da Universidade Regional de Blumenau (Furb) reivindicou a federalização da universidade municipal e lembrou que a dificuldade também é cultural. “Os próprios estudantes estão desmotivados e não acreditam mais na mudança. Estamos há mais de 20 anos nessa situação”, ressaltou.
“A luta não será em vão. Se a pauta é investimento, temos um foco que é o financiamento de 10% do PIB para educação que unifica nossas reivindicações”, destacou uma estudante da Bahia. “Lutamos para que as nossas universidades não sejam de governos X ou Y, mas sim dos nossos estados”, completou outro jovem gaúcho.
Da Redação