Nesta terça-feira (24), os estudantes do Diretório Acadêmico Demócrito de Souza Filho, da Faculdade de Direito do Recife (FDR), ao lado da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP – Cândido Pinto) e da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (UMES-PE), seguiram em marcha até a sede da Corregedoria-Geral da Secretaria de Defesa Social para denunciar a ação da polícia durante os protestos realizados na última sexta (20) e nesta segunda-feira (23). Lá, os estudantes protocolaram uma representação pedindo a apuração dos fatos envolvendo o excesso da PM.
Leia aqui a nota das entidades contra a violência policial
A passeata saiu da Faculdade de Direito do Recife e seguiu até a Corregedoria. Durante a caminhada, os estudantes aproveitaram para repassar um abaixo-assinado à população local para que apoiem a causa a favor dos estudantes.
As assinaturas foram entregues a Sidney Lemos, Corregedor-Geral, junto com o ofício pedindo a “coletânea” de provas da violência policial nas últimas reivindicações estudantis. “Câmeras de segurança espalhadas pela cidade, assim como imagens da imprensa, podem ser usadas para provar a violência sem justificativa alguma”, explica o presidente da UEP, Thauan Fernandes.
Ainda nesta terça, a UEP vai se reunir para mobilizar novos atos e tentar fazer com que os próximos sejam ainda mais pacíficos, evitando confrontos.
Violência gratuita
No último dia 20, cerca de 300 estudantes da região metropolitana de Recife foram brutalmente agredidos pela tropa de choque durante uma manifestação de rua na qual protestavam contra o aumento da tarifa das passagens de ônibus da cidade. A polícia disparou na multidão bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. Após o conflito, quatro estudantes foram detidos e muitos ficaram feridos.
Ontem (23), alguns estudantes protestavam com os braços levantados e ajoelhados com as mãos na cabeça, mostrando que não pretendiam confrontar a PM. Mesmo assim, a polícia avançou. Os jovens chegaram a oferecer flores e abraçaram integrantes do Batalhão de Choque, enquanto pediam paz e cobravam o direito legal de se manifestarem.
As mobilizações contra o aumento começaram há cerca de uma semana, quando o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros no Estado de Pernambuco (Urbana-PE) apresentou ao Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM), braço do Grande Recife Consórcio de Transporte responsável por decidir sobre o reajuste das tarifas das linhas que operam nos municípios da Região Metropolitana do Recife (RMR), uma proposta de aumento de 17,2%. O valor das passagens passaria de R$ 2,00 para R$ 2,35 (passagens do Anel A) e de R$ 3,10 para R$ 3,60 (passagens do Anel B).
Patricia Blumberg