Agressões por parte da Polícia Militar tomaram conta das principais ruas de Teresina, no Piuaí, e de Vitória, no Espirito Santo, em mais um dia de protestos estudantis contra o aumento das passagens de ônibus.
No centro de Vitória, os alunos interditaram as avenidas Getúlio Vargas e a Princesa Isabel. Houve confronto com policiais da cavalaria e agressões por parte da PM. O assunto é um dos mais relatados nas redes sociais e os internautas chegaram a protestar contra o uso de bombas de efeito moral e tiros com balas de borracha pela PM. Duas pessoas foram presas na manhã desta quarta-feira (11), mas a PM não soube informar se eram ou não estudantes.
Esse último protesto compõe uma séria de manifestações que acontecem desde o começo do ano e as razões vão além do aumento no valor da tarifa do transporte público: os estudantes querem o fim do monopólio no transporte coletivo e a reabertura da CPI do Transcol. As passagens nas linhas municipais subiram neste domingo (8) de R$ 2,20 para R$ 2,35, enquanto nos seletivos passaram de R$ 2,30 para R$ 2,50. No sistema Transcol, as tarifas subiram de R$ 2,30 para R$ 2,45, enquanto nas linhas seletivas os preços variam de R$ 3,70 a R$ 4,25.
A União Estadual dos Estudantes Secundaristas do Espírito Santo (UESES) repudia qualquer tipo de violência e é a favor da pauta legítima dos estudantes. “O que não concordamos é com a violência. Queremos dialogar com a sociedade de forma pacífica”, explicou Marcos Paulo, presidente da entidade.
O governo do Espírito Santo informou que, apesar dos protestos, não vai ceder em relação ao aumento da tarifa. Também disse que a PM não exagerou em suas últimas ações
Os protestos não são de hoje
A luta dos estudantes para a melhoria dos transportes públicos, bem como a diminuição dos valores de suas passagens, não é de hoje. No início do ano passado, os estudantes, segundo Marcos Paulo, conseguiram parar Vitória para protestar a favor da ampliação do benefício do passe livre para estudantes, mudanças no Conselho Tarifário (Cotar) – colegiado que define o valor das tarifas – e mudanças na data-base para os reajustes.
Após muito diálogo, conquistaram uma vitória importante para o movimento estudantil: O Cotar, antes representado só por parlamentares e empresas privadas, ganhou maior representação da sociedade. Hoje, cinco membros civis, entre eles dois estudantes, opinam e participam do Conselho.
Outra conquista importante destacada pelo presidente da USES foi a garantia do passe livre para alunos que participam de programas do Governo Federal, como o ProUni.
Vídeo registra momento em que cavalaria da PM ocupa as ruas
Patricia Blumberg