A Jornada Nacional de Lutas pode ser considerada uma espéciede tradicional calourada da União Nacional dos Estudantes. Lutando em uma só voz, a juventude leva alegria e luta para as ruas no mês de março, colorindo as principais cidades e universidades de todo o país.

Milhares de estudantes participaram este ano e saíram às ruas para reivindicar mais direitos, lutando e cobrando das autoridades melhorias na educação para elevar o Brasil a um patamar de desenvolvimento mais justo e democrático. As paralisações começaram no dia 26 de março, em Porto Alegre, e seguiram em avalanche pelo Rio de Janeiro, Brasília, Tocantins, Acre, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Goiás e Paraíba.

Muitas outras cidades ainda participarão da Jornada de Lutas e irão incorporar o “Março Verde e Amarelo” em abril, como é o caso de Amazonas, Paraná, Amapá e São Paulo. 

ESTUDANTES NA RUA, QUAL É SUA MISSÃO? 

A pauta de reivindicação deste ano trouxe a defesa incondicional dos 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e 50% do fundo social do Pré-sal para a educação. Isso quer dizer que os estudantes protestam por mais dinheiro para a educação, o que consequentemente levará o país para o caminho do ensino de excelência, com mais acesso, mais bolsas, melhor salário para professores e funcionários, infraestrutura, fim do analfabetismo, mais pesquisa e extensão, além de tantas outras melhorias.

Como é de costume, no entanto, em cada estado houve a incorporação de pautas regionais aos protestos, como a melhoria do transporte público local, a luta pela assistência estudantil nas universidades e o passe livre estudantil.

Em Minas Gerais, por exemplo, os estudantes exigiram a criação imediata da PEC do Fundo Social do Minério, relacionada ao fato de que o estado de Minas fica com apenas 2% do faturamento líquido sobre a exploração do minério, mesmo sendo o maior produtor nacional. Em Salvador, a juventude questionou  um caso bem peculiar naprefeitura da cidade: a rejeição das contas do Prefeito João Henrique, recusada pelo Tribunal de Contas do município devido ao não cumprimento de exigências constitucionais, como o investimento de pelo menos 15% dos impostos arrecadados em saúde e 25% em educação.  Já no Rio de Janeiro, o aumento da passagem das barcas foi um dos assuntos mais discutidos.

JORNADA NACIONAL DE LUTAS E O PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

Em 1962, ano em que o país conquistava o bicampeonatomundial de futebol no Chile e a Bossa Nova conduzia o país com grande elegância, o panorama educacional brasileiro era pavoroso. Para salvar o cenário em questão, o ministro de João Goulart traçou o Primeiro Plano Nacional de Educação (PNE), o qual listava uma série de medidas emergenciais a serem cumpridas em um prazo determinado.

Hoje, o Brasil é um dos motores econômicos do mundo e passou a ser a sexta economia global. Com tanta pujança, é gritante, no entanto, a defasagem do sistema educacional, que ainda é a grande dificuldade do país passados 50 anos. Por isso, em 2010, foi enviado pelo governo federal ao Congresso o projeto de lei que cria um novo PNE, para vigorar de 2011 a 2020.

Trata-se de um conjunto de metas que definirão as políticas públicas para esse setor pelos próximos 10 anos. A principal indignação da UNE em relação ao plano diz respeito ao percentual do Produto Interno Bruto (PIB) que se pretende destinar ao projeto. O texto original enviado pelo governo prevê a meta de aplicar 7% do PIB em investimentos públicos no setor – hoje o país investe cerca de 5%.

O movimento estudantil, ao lado de diversas outras entidades, entende que o número é muito baixo e luta para que o valor aumente para 10%. Essa, ao lado da aprovação imediata da matéria, são uma das principais bandeiras das entidades estudantis durante a Jornada de Lutas.

Da Redação