A conjuntura internacional e seus reflexos no Brasil foram tema de debate no 63º Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg) da UNE, na manhã deste sábado (21), em São Paulo. Cerca de cinqüenta estudantes, representando DCEs, uniões estaduais estudantis e executivas de curso de diversos estados discutiram a crise do capitalismo e a situação da classe trabalhadora no mundo e no país.
O debate acontece no momento em que o Brasil se prepara para um ajuste fiscal condenado pelo conjunto dos movimentos sociais brasileiros, envolvendo o corte de recursos de áreas estratégicas como a educação.
QUEM PAGARÁ PELO AJUSTE?
A política econômica do governo federal esteve entre os pontos principais do debate. “Não há como apostar na conciliação com o capital e o sistema financeiro”, criticou o representante da Fundação Perseu Abramo, Guilherme Melo, um dos convidados da mesa.
Segundo ele, as medidas do ministro Joaquim Levy trazem perspectivas negativas para os setores populares e a juventude: “Quem vai pagar pelo ajuste? Deveriam, na verdade, ser os mais ricos. Por que não tarifar de acordo com patrimônio e renda, cobrar das grandes fortunas, como está previsto na constituição brasileira?”, questionou.
Os cortes em setores sociais também foram rechaçados pelo professor da universidade Mackenzie Júlio Vellozzo “Precisamos combater essa situação, com a consciência de que o lado de lá, as grandes empresas, os grupos econômicos também estão pressionando e não querem sair perdendo”, afirmou. Segundo ele, é preciso unidade e mobilização nas ruas.
“O caminho é a luta popular, como sempre foi. Chegaram a dizer que essa era uma perspectiva já ultrapassada no mundo atual mas vemos que, nos países da Europa, por exemplo, o que mais vemos atualmente são greves, pressão dos trabalhadores, movimentando cada vez mais pessoas”, defendeu.
MOVIMENTOS EM LUTA
No Brasil, algumas recentes lutas foram lembradas pelo representante da Unidade Popular Pelo Socialismo Gregório Gold: “Temos que olhar é para a greve recém-declarada pelos professores de São Paulo, temos que nos inspirar é nas movimentações recentes do MST, na greve dos garis do Rio de Janeiro que já completa vários dias”, enumerou.
Diversos estudantes se revezaram ao microfone trazendo olhares diversos sobre a conjuntura e com diferentes propostas de postura do movimento estudantil junto aos governos e a sociedade. Em comum, esteve a preocupação de todos com o avanço das ideias conservadoras no país e a necessidade de construir alternativas para as lutas da juventude.
DA REDAÇÃO