A mobilização das greves nas universidades federais brasileiras recebeu, neste domingo (17/06), importante apoio do movimento estudantil organizado, ratificado pelo Congresso Nacional deEntidades Gerais (Coneg) da UNE, no Rio de Janeiro.

A plenária do encontro recebeu a representante da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes ) Sônia Lúcio Rodrigues e do representante da Federação de Sindicatos de Trabalhadores em Educação das Universidades Brasileiras (Fasubra), Diego Gonçalves, reforçando o clima de integração entre alunos, funcionários e professores em prol da paralisação.

Entre as resoluções do Coneg esteve  o  fortalecimento da participação dos estudantes e sua bandeiras na greve, no sentido de construir a pauta da valorização e reforma da universidade, ampliação da assistência estudantil e defesa dos 10% do PIB para a educação.

A presença do movimento de docentes e servidores na plenária contribuiu para a construção do consenso entre os estudantes no que se refere à soma de forças com as demais categorias. “O movimento unificou, é estudante funcionário e professor!” gritou a plateia nos momentos de maior unidade.

 Solidariedade entre as categorias

 Para a representante da Andes, a integração da greve com o movimento estudantil tem acontecido de forma inédita e positiva. “Vocês estão realizando um belíssimo movimento, nós não podemos abrir mão de ninguém nessa luta. Sou feliz por estar aqui com vocês avançando muito nesse patamar de relação, trata-se de um novo momento para classe trabalhadora brasileira”, disse Sônia Rodrigues. Segundo ela, a expectativa da Andes é que as negociações com o governo federal comecem na próxima terça-feira.

No mesmo tom de unificação, o representante da Fasubra Diego Gonçalves disse que a categoria dos funcionários começou o seu movimento de greve por meio de pautas bem específicas, mas compreendeu que não poderia se isolar dos outros grupos que compõem a comunidade acadêmica.

Citou, como exemplo, a defesa da paridade nas eleições para as insituições, valorizando os votos de alunos, professores e servidores. A reivindicação foi aplaudida pelo plenário do Coneg.

O presidente da UNE, Daniel Iliescu, pediu aos representantes da Andes e da Fasubra que levassem todo o apoio e solidariedade do movimento estudantil às suas respectivas categorias. Iliescu defendeu que o movimento estudantil construa a pauta de uma reforma universitária durante esse processo da greve.

UNE Brasil+10 e meio ambiente 

Outras duas resoluções importantes do Coneg foram a aprovação do documento UNE Brasil+10 – produzido a partir da caravana realizada pela entidade nos últimos meses – e de uma mensagem da UNE e em relação ao meio ambiente e a sustentabilidade. O texto da caravana foi debatido e consolidado considerando as experiências registradas pela UNE em universidades de 12 estados detodas as regiões do país. O projeto teve, como objetivo, imaginar e construir a realidade do Brasil dentro de 10 anos, quando completam-se 100 anos da independência oficial do país.

O documento da UNE sobre meio ambiente traz uma mensagem de defesa do desenvolvimento sustentável, porém de crítica ao recente conceito de “economia verde”, por considerá-lo mantenedor da lógica de exploração econômica e injustiça social. A resolução do movimento estudantil acontece após a participação da UNE na conferência Rio+20, no sábado (17/06) como a primeira entidade da sociedade civil, no planeta, a debater e participar do processo dedecisões em atividade da ONU.

Em sua fala no evento internacional, o presidente da UNE deu voz às críticas e reivindicações do movimento social mundial, a favor de uma nova ordem global com justiça social aliada à proteção domeio ambiente.

Artênius Daniel