O tempo tem sido é pouco para os milhares de estudantes que fizeram de Olinda a sua casa durante a  Bienal da UNE. Nas poucas brechas da programação, o espaço Forrobodó tem agitado a hora do almoço na Praça do Carmo. O forró, como era para ser, tem sido a língua mais falada.

A receita básica é o dois pra lá e dois pra cá, mas cada estudante, de cada edtado, põe o seu tempero na dança. A Bienal tem sido um verdadeiro laboratório de vertentes de dança forrozeira vindas de todas as regiões do Brasil. sob o ritmo marcado pela zabumba. Baião, pé de serra, rala coxa, xaxado, universitário.  Como se dança a música de Luiz Gonzaga pelo país afora?

“Em Santa Catarina, a diferença é a música, que lá é gaúcha, mas o xote é o mesmo”, disse a estudante Emanuele Correio, da região sul do país.

De Macaé, no Rio de Janeiro, o estudante do Bruno Vargas, disse que ele particularmente gosta de dançar mais junto. “Só que carioca é um pouco exibido e gosta de fazer firula”, afirmou saindo rapidinho para buscar outro par durante o forró dessa quinta (24). 

O casal de baianos Thiago Dantas e Laiza Salete da UESC,  rodopiavaa entre um giro e uma encostada de quadril.  É bailado o arrasta pé da Bahia.  Para ela, na terra de São Salvador há passos e alegorias, giros e braços, mas tem xote agarradinho também. 

“A diferença do forró é como se fosse um sotaque. Cada região do país tem a sua e taí a riqueza”, disse ele com sabedoria.  

“O forró é sem barreira. A gente encontra pessoas de todos os lugares aqui, vai no um, dois e dá tudo certo”, disse a baiana.

A tese foi aprovada literalmente pela estudantada: o Brasil se entende no forró. Nada mais justo que ele seja reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, como  aconteceu com o frevo pernambucano recentemente.  Está aí uma missão para  a 8ª Bienal da da União Nacional dos Estudantes, defendendo essa reivindicação e prestando serviço para a cultura brasileira. 

Cristiane Tada Foto: Fábio Bardella