Nesta última sexta-feira (22/03) o grupo da Comissão da Verdade da UNE esteve reunido na sede das entidades estudantis de São Paulo. Durante o encontro foram definidas a ordem dos estudantes que terão as circunstâncias de morte investigadas. Os primeiros casos serão de Honestino Guimarães e Alexandre Vannucchi Leme, seguidos de Helenira Rezende, Fernando Santa Cruz e Manoel Lisboa, entre outros.

A reunião teve a presença do deputado estadual Adriano Diogo, que afirmou querer manter o vínculo com a UNE e estar a par dos avanços da Comissão.

No andamento dos trabalhos ficou estipulado que o primeiro passo será procurar vídeos, relatos, estudos de casos, todo tipo de material bibliográfico e audiovisual sobre o período da ditadura e envolvimento do movimento estudantil. Segundo a coordenadora técnica da Comissão da Verdade da UNE, Raisa Marques, a pesquisa é apenas o primeiro passo pra elaboração dos dossiês dos investigados que devem ser montados até o dia 05 de abril, quando ocorrerá uma nova reunião da Comissão. “O que estamos debatendo é que esses relatórios deverão conter um pequeno histórico de vida e biografia política, depoimentos de familiares e ex-companheiros de militância, um guia que aponte fontes para futuras pesquisas e principalmente expor e debater as circunstâncias da morte, explicitando as dúvidas que rondam esse fato”, explicou.

Nesta fase também deverá ser feito um levantamento sobre todas as Comissões da Verdade já existentes para colaboração nos trabalhos e avanços nas pesquisas. “Vamos compilar o material já existente e recontar a nossa história”, destacou o presidente da UNE, Daniel Iliescu.

Para Raisa é necessário estabelecer para o movimento estudantil essa relação entre seu passado, presente e o futuro. “A UNE pretende colocar um foco maior na sua história, entendendo que esse debate que a Comissão da Verdade da UNE está fazendo está tardio na nossa sociedade, mas que nos últimos anos vem ganhando força e que é necessário pra entender a construção política de nosso país”, afirmou.

A próxima reunião de trabalhos da Comissão da Verdade da UNE acontece dia 05/04 na cidade de Goiânia, em Goiás. A cidade também será a sede do próximo Congresso da UNE, em junho que elegerá o próximo presidente da instituição. Além disso, Goiás também é o estado natal de Honestino Guimarães, um dos primeiros casos investigados pela Comissão.

Honestino Guimarães

Honestino Guimarães é um dos símbolos recentes da história política brasileira. Passou no vestibular para o curso de Geologia na Universidade de Brasília (UnB) em 1965, um ano depois da instalação de militares no Governo Federal, e começou a militar ativamente no movimento estudantil. Exemplo de persistência e ousadia, foi presidente da UNE em 1969, após seu antecessor, Jean Marc von der Weid, ser preso.

Ao terminar seu mandato, transferiu-se para o Rio de Janeiro e passou a viver na total clandestinidade. Continuou, contudo, coordenando encontros estudantis e lutando contra o regime militar até ser preso pela CENIMAR, em 10 de outubro de 1973.

Quase quarenta anos depois – sem que os estudantes tivessem notícia de seu paradeiro, sem que sua mãe pudesse enterrar seu corpo – graças à abertura de arquivos da ditadura militar, supõe-se que Honestino Guimarães tivesse sido morto no ano de 1974 e levado, junto com outros combatentes pela democracia, para ser enterrado às margens do Rio Araguaia, ao lado dos que tombaram na Guerrilha do Araguaia.

Cristiane Tada