Comba Marques Porto nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 15 de outubro de 1945, filha de Henrique Marques Porto e Maria Thereza Marques Porto. Completou seus estudos secundários em Jacarepaguá, em 1966, sem qualquer envolvimento com a vida política, apesar de ter irmãos que participavam do movimento secundarista.

Ingressou na Universidade do Estado da Guanabara (UEG), no curso de Letras, em 1967, mesmo ano em que começou a militar no movimento estudantil. Nesse ano, também se filiou ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Sua entrada no movimento estudantil e no PCB se deu por influência de Raulino Aquino de Oliveira, seu companheiro na época. Não chegou a possuir nenhum cargo oficial no movimento estudantil da UEG, mas participava das assembléias, reuniões e mobilizações estudantis de forma atuante.

Em 1968, Comba participou das diversas manifestações contra a ditadura, como a Passeata dos Cem Mil, e continuou militando no movimento estudantil que, apesar da clandestinidade, teve forte atuação na situação política do país no decorrer desse ano. Por volta do mês julho, elegeu-se delegada ao 30º Congresso da União Nacional dos Estudantes, o Congresso de Ibiúna, que foi interceptado pela polícia, gerando a prisão de centenas de estudantes. Comba esteve presente no Congresso, ocorrido em outubro, e ficou presa durante um mês.

Em 1971, já formada em letras pela UEG, retornou ao meio universitário, ingressando na Faculdade Nacional Direito (FND). Atendia, então, a uma necessidade do próprio PCB de recompor seus quadros nas diversas faculdades e tentar reorganizar o movimento minado pela ditadura desde 1964. Sua função na FND era justamente a de reorganizar o movimento estudantil sob a ótica do PCB, da política de massas. Dessa forma, com o intuito de aglutinar os estudantes, promoveu – junto com Amílcar Barroso – uma série de atividades culturais e outras naturezas, como a 1ª Semana de Debates Jurídicos.

Uma luta enfrentada nesse período, dentro da FND, foi pela volta da representação estudantil nos diversos setores da universidade, através da legalização da existência dos representantes de turma e do Conselho de Representantes de Turma. Por conta dessa luta, Comba chegou a sofrer ameaças de ser expulsa da Faculdade, o que acabou não ocorrendo. Não só permaneceu na militância dentro da universidade, como foi eleita representante de sua turma e membro do Conselho de Representantes, quando a representação foi conquistada e legalizada.

Em 1974, ainda como estudante da FND, Comba passou a trabalhar como estagiária no escritório de advocacia de Humberto Jansen Machado, no qual participou de diversas causas em defesa de presos políticos. Formou-se em 1975 e, nesse ano, o PCB sofreu uma forte queda a partir de uma denúncia, que fez com que todas as suas atividades fossem paralisadas e que acabou por desorganizar todas as suas bases políticas. Sendo assim, Comba foi orientada pelo Partido a sair do país. Sua atuação como advogada, entretanto, fez com que escolhesse permanecer no Brasil. Concomitantemente a este fato, interessou-se em participar do Seminário sobre a Mulher Brasileira e conheceu diversas militantes feministas. Acabou por ingressar no movimento feminista do Rio de Janeiro.

Sua atuação no movimento feminista se estendeu até os anos de 1990, tendo sido, no que diz respeito à questão da mulher, personagem importante no processo de formatação da nova constituição brasileira em 1988. Era membro do Conselho Nacional da Mulher desde 1985 e, como tal, ajudou a formular textos da legislação.

Em 1982, motivada pela causa feminista, Comba candidatou-se vereadora pelo PMDB, no Rio de Janeiro, e, em 1986, a deputada federal pelo mesmo partido. Porém não conseguiu eleger-se em nenhuma das duas eleições. Em 1992, filiou-se ao PT, participando do núcleo de mulheres do partido.

Comba é juíza do trabalho no Território Regional do Trabalho – 1ª Região, desde 1995, quando se afastou da militância política. Casou-se duas vezes, primeiramente com Raulino Aquino de Oliveira, com quem teve uma filha, e Alberto Di Sabbato, com quem teve dois filhos e uma filha.

[Fonte: Entrevista concedida ao Projeto Memória do Movimento Estudantil em 01 de novembro de 2004]

Feito por Tatiana Di Sabbato em 01 de novembro de 2004.