Pela primeira vez desde que assumiu o cargo, no início de 2012, o ministro da Educação Aloizio Mercadante participou de um encontro da União Nacional dos Estudantes (UNE). O momento marcou o ponto principal de debate do Conselho Nacional de Entidades de Base (CONEB) da entidade, na manhã deste domingo (20), no Centro de Convenções da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O tema foi a reforma universitária.

Sob o barulho de mais de três mil vozes de estudantes de todo o país, Mercadante foi aplaudido em alguns momentos e firmemente cobrado em outros. Tendo participado do movimento estudantil durante os anos 70, se disse satisfeito em estar no CONEB e em estender o diálogo com o movimento estudantil: “É bom estar aqui”, afirmou logo ao começo de sua fala. Ele já tinha se reunido com os estudantes no último mês de junho, após uma manifestação em Brasília durante a greve geral das federais.

Como ação mais marcante relacionada ao tema do encontro, o ministro recebeu da UNE um relatório produzido por estudantes e técnicos do Ministério da Educação que avalia a expansão da rede federal de ensino superior no Brasil nos últimos anos e aponta os problemas e desfios desse processo.
 
“Foi importante a construção desse documento junto com a UNE. É inquestionável que tivemos, nos últimos dez anos, um grande esforço para dobrar as vagas das universidades federais brasileiras. Porém, eu reconheço que uma ampliação tão rápida em tão pouco tempo traz desafios”, declarou. O ministro disse que espera um “salto de qualidade” para a universidade brasileira e defendeu ações como a política de cotas e a reestruturação da pesquisa no ambiente acadêmico.

Durante o debate, o presidente da UNE Daniel Iliescu disse que a reforma universitária está para a UNE como a reforma agrária está para o MST, sendo uma luta histórica e contínua da entidade. Ele agradeceu a presença e o diálogo mantido com o ministro mas disse que, se for necessário, os jovens continuarão intensificando as lutas:

“Em todos os momentos que houve a possibilidade de avanços democráticos no país, a UNE debateu a reforma universitária como por exemplo durante o governo de João Goulart. A pauta dessa reforma surgiu no Brasil pelas lutas do movimento estudantil e pela vontade dos estudantes em transformar não somente a universidade como toda sociedade brasileira”, afirmou.

Também participaram da mesa a reitora da Universidade de Córdoba, Silvia Carolina Scotto, o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Carlos Maneschy, o presidente da Organização Latino-Americana e Caribenha dos Estudantes (OCLAE), Ricardo Guardia, o reitor da UFPE, Anísio Brasileiro Dourado, a reitora da Faculdade de Olinda, Maria Antonieta Alves, a vice-presidente da UNE, Clarissa Cunha, o primeiro vice-presidente da UNE, Yuri Pires, a secretária-geral da UNE, Michele Bressan, a ex-presidente da UNE, Lúcia Stumpf e o ex-presidente da UNE, Augusto Chagas. 

RELATÓRIO EM MÃOS E LUTAS NAS RUAS

Participante da comissão que produziu o relatório, o primeiro vice-presidente da UNE Yuri Pires acredita que o processo foi importante para que o movimento estudantil conhecesse melhor a realidade da expansão das federais: “O texto permite a todos estudantes, todas as correntes da UNE terem informações detalhadas sobre o processo de expansão das federais nos últimos anos. Não é um documento que avança tudo que deveria avançar ainda, mas é papel da UNE trazer esses detalhes para o debate”, pontuou.

Segundo ele, os grandes problemas são a insuficiência das políticas de assistência estudantil e de estrutura, ausência de moradias universitárias, restaurantes, laboratórios e hospitais. Agora que o relatório está entregue, é necessário ir para as ruas: “Precisamos de uma Jornada de Nacional de Lutas em todas as capitais para o aumento da assistência estudantil”, disse.

Artênius Daniel. Foto: Fábio Bardella