
Aconteceu no dia 10 de abril, terça-feira da semana passada, um debate que uniu diferentes personalidades para falar de um assunto comum ao cidadão na atualidade: as novas tecnologias e internet. O evento ocorreu na segunda maior universidade do Estado de São Paulo, a Unicamp. Criada em 1962, foi a primeira a instituir cursos de ciência da computação no Brasil. Não à toa, o tema atraiu um dia inteiro de atividade no campus.
Na mesa, estavam presentes o blogueiro e diretor da revista Fórum Renato Rovai e o representante do Projeto Piraí Digital, Fábio Marcelo. Para intermediar, o coordenador do Circuito UniverCidade, Rafael Lacerda.
Questões como o direito ao acesso foi um ponto bastante discutido. Segundo Rovai, “é extremamente necessário garantir ao acesso à informação e cultura pelas redes para todos os membros da sociedade. Mas em termos de avanço, estamos no engatinhar da revolução digital”.
Fábio Marcelo concordou, mas é otimista nesse sentido. Como exemplo de entidade que luta pela democratização do acesso está o projeto Piraí, que já possibilitou a inclusão digital em toda extensão territorial do município. Piraí fica no Rio de Janeiro e o projeto abrange diferentes segmentos e idades. O foco está na educação, com um investimento de mais de 30%.
“O direito ao conhecimento deve ser público e a difusão da informação pela internet está cada dia mais crescente. Por mais que esse serviço não seja gratuito, deve existir acesso, isto é, sinal de internet para possibilitar o alcance da população à informação gerada por ela. É isso que o projeto Piraí defende”.
Discutir o acesso, porém, é apenas um dos pontos. Outro assunto comentado pelo Diretor da Revista Fórum é a questão das leis autorais. Um dos exemplos citados para a adoção de um modelo colaborativo de distribuição é o creative commons, que disponibiliza licenças autorais, garantindo proteção e liberdade para artistas e autores. A intenção é única: disponibilizar o conhecimento ampliando as redes de acesso.
“Hoje, a grande mídia perdeu a exclusividade da distribuição da informação, transformando o cenário mais plural e polifônico. Essa pluralidade informativa é boa para o leitor. Hoje, a via de interação é dupla e a ideia é essa mesmo: sociabilizar e não estagnar a comunicação. Este é o caso da grande mídia, aquele, dos blogs”, exemplifica.
Em um mundo onde as relações estão cada vez mais digitalizadas, onde jovens estudam pela internet, se comunicam e protestam por meio das redes sociais, a intenção da UEE-SP é apostar cada vez mais na internet como meio de contato para o debate público online. O Circuito UniverCidade, porém, é uma caravana que dia a dia, pega a estrada e vai até as cidades para fazer contato com as pessoas.
“Acreditamos que conhecer a realidade da juventude visitando cada universidade, debatendo com cada DA, CA, DCE em cada cidade, visitando as salas de aula, os restaurantes universitários, ouvindo os problemas e colhendo ideias é também muito importante. O movimento estudantil é uma rede nacional fantástica e a ideia da caravana é aproveitar essa capilaridade para fazer uma leitura mais rica do país”, finaliza o coordenador da caravana, Rafael Lacerda.
Mayara Monteiro, de Campinas
Foto: Leo Souza