Quem chega a São Bernardo do Campo tem a impressão de estar no meio da capital paulista: as ruas com o mesmo nome e as praças com a mesma movimentação de quem corre para não perder o ônibus na Av. Brigadeiro Faria Lima. Foi assim que nós, produtores do Circuito UniverCidade, observamos ao longo de dois dias de pré-produção, tamanho potencial que as cidades satélites têm de se tornarem cada vez mais estruturadas e desenvolvidas.

Assim como na grande São Paulo, as universidades da região vem formando um grupo de jovens cujas angústias e ambições já não são as mesmas do típico recém-formado: no lugar de um emprego fixo numa grande empresa, eles preferem aventurar-se num negócio próprio, ainda que essa opção traga mais riscos e incertezas. Por isso, para a cidade em questão, a UEE-SP propôs realizar uma grande reflexão acerca do tema “trabalho e empreendedorismo”. O debate aconteceu na UFABC, na última quinta-feira (5).

Quais as dificuldades, os desafios, as vantagens e desvantagens em levantar um projeto empreendedor? Com quais intenções o mesmo beneficia a cidade em que se instala e sua população? Para responder essas e outras perguntas, o Diretor do Comitê de Jovens Empreendedores da FIESP, Giuliano Chaddoud, esteve presente no debate para contar a história da mineradora herdada pelo seu avô, que se tornou, depois de muito desempenho, a primeira usina recicladora de entulho de obra de São Paulo.

“Este foi um projeto que só foi dar certo depois de 6 anos de muita dificuldade financeira. Somava IPTU ao sistema de segurança para prevenir invasão, entre outros custos. Sofremos até chegar aonde estamos, mas conseguimos levantar nosso negócio”, explicou.

Baseado em sua própria experiência, Giuliano participa do Comitê de Jovens Empreendedores – CJE – incentivando jovens a acreditar em suas ideias e seguir adiante com elas. “Quando a ideia é boa e o projeto é sério, sempre aparecem dinheiro e pessoas querendo apostar em você”, afirmou.

A intenção do CJE é, acima de tudo, reunir pessoas, montar grupos, identificar líderes e firmar parcerias. “O governo pode fazer muita coisa para motivar o empreendedorismo colocando pessoas do ramo para mediar palestras, criando projetos-anjo e articulando com os jovens. Mas, em minha opinião, ele é omisso nesse sentido. Por isso, o jovem precisa se profissionalizar”, disse Giuliano.

Após o debate, foi aberto uma plenária para estudantes e professores opinarem e relatarem experiências pessoais, como foi o caso de José Jorge, Presidente do Sindicato dos Professores de São Bernardo do Campo, o SIMPRO.

Crescimento com consciência 

Em apenas cinco anos, o número de jovens empreendedores subiu em 30%, de acordo com um novo estudo do instituto internacional Global Entrepreneurship Monitor. Já são 3 milhões os brasileiros entre 18 e 24 anos que, com o diploma na mão ou prestes a obtê-lo, estão à frente da própria companhia. Eles vislumbram a possibilidade de usufruir a liberdade de quem não está sob as asas de um chefe, mas, também querem deixar de lado a competição desumana que o mercado de trabalho proporciona. De acordo com a pesquisa, todos possuem projetos para melhorar a qualidade de vida de seu país e de seu entorno.

Mayara Monteiro, de São Bernardo do Campo
Foto: Leo Souza