Mais uma vez as estatísticas são confirmadas: em uma terça-feira violenta na periferia da capital paraense, uma chacina supostamente comandada por policiais ceifou a vida de ao menos dez jovens negros. De acordo com a Polícia Civil, as mortes ocorreram após o assassinato de um cabo à paisana da Rotam (Ronda Ostensiva Tático Motorizado), no bairro Guamá.

Durante toda a madrugada, denúncias ocuparam as redes sociais, relatando ações, supostamente de milicianos, em diversos bairros, gravações de áudios e vídeos com flagrantes das ações também se espalharam.

Em 2012, segundo a prévia do Mapa da Violência 2014, as mortes juvenis (de indivíduos de 15 a 29 anos) provocadas por causas externas (homicídios, suicídios e acidentes) representaram 71,1% do total. No caso da juventude negra, a porcentagem chega ao número alarmante de 76,9%.

PAUTA DA UNE

O fim do genocídio da juventude negra é uma das pautas defendidas pela União Nacional dos Estudantes. Durante seu 62º Conselho Nacional das Entidades Gerais (Coneg), realizado em junho deste ano, a entidade promoveu um grande debate sobre o assunto com presenças importantes como a deputada estadual pelo PCdoB-SP, Leci Brandão e o representante do Círculo Palmarino, Joselicio Junior.

Na ocasião, Joselicio chegou a afirmar que a juventude negra seria a ‘‘juventude do genocídio e alvo dos policiais”.

Confira abaixo o relato do vice-presidente da UNE no Pará, Tony Silva, sobre a situação em Belém:

Terror em Belém

O povo da periferia de Belém não conseguiu dormir na noite desta terça, dia 04/11. O toque de recolher e a ordem dada por policiais para “fazerem qualquer coisa menos irem ao Guamá, Terra Firme e Canudos (bairros da periferia da cidade) por que faremos uma limpeza” foi o começo da noite de terror que não deixaria muitos dormir.

A “limpeza” foi o extermínio de dezenas de jovens, em sua maioria, negros em razão da morte de um membro da ROTAM (Ronda Tática Metropolitana) durante o dia dessa terça 04/11. Policiais saíram para periferia de Belém com o desejo de matar. E mataram!

A imprensa oficial declarou a morte de 10 jovens, e que há a possibilidade de não haver relação entre as mortes. A própria pagina da ROTAM em uma rede social declarou que mais de 40 (quarenta) foram os mortos nesta noite sangrenta.

Hoje, a cidade amanheceu em pânico. Escolas suspenderam suas aulas, três das quartos principais Universidades da capital paraense (UFPA, CESUPA e UNAMA) sofreram ameaças de invasão em resposta ao genocídio praticado durante a noite.

Estudantes da Universidade Federal do Pará se chocaram ao assistir no telejornal matinal, o repórter no portão da UFPA, trajando colete a prova de bala, como se estivesse cobrindo um confronto de guerra.

Da Redação