Na última quinta-feira (4/7), representantes dos países membros da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) se reuniram na cidade de Cochabamba, na Bolívia, para emitir uma declaração conjunta em repúdio à restrição sofrida pelo avião presidencial de Evo Morales na Europa.
Na carta, batizada ‘’Declaração de Cochabamba’’, os sul-americanos classificam o impedimento de uso do espaço aéreo europeu como um ato “insólito, inamistoso e hostil”, uma “flagrante violação dos tratados internacionais” que afeta a “liberdade de trânsito”, exigindo assim explicações e desculpas públicas.
O incidente ocorreu na terça-feira (2/7) quando a aeronave que vinha da Rússia trazendo o presidente boliviano precisou fazer um pouso forçado em Viena, na Áustria, depois que França e Portugal fecharam seus espaços aéreos repentinamente, devido a suspeitas infundadas de que estaria transportando o ex-agente da CIA Edward Snowden.
Para o diretor da UNE e representante da Organização Continental Latino Americana e Caribenha de Estudantes (OCLAE), Mateus Fiorentini, o ocorrido pode ser classificado como uma aberração do ponto de vista das relações internacionais. ‘’ É uma falta de respeito com a Bolívia e o povo boliviano e reflete o sentimento soberbo e colonialista por parte, não do povo desses países, mas sim de seus governos que são porta-vozes e subalternos ao imperialismo norte-americano’’, contou.
Ao final do encontro, uma convocação à Nações Unidas foi formalmente realizada para que os motivos da retenção de Evo Morales sejam devidamente esclarecidos. Segundo o documento ‘’todos os organismos internacionais estão convocados a se pronunciarem sobre esse episódio injustificável e arbitrário.”
A União Nacional dos Estudantes divulgou na ocasião uma nota em solidariedade a Bolívia e reafirma que os governos europeus envolvidos devem desculpar-se publicamente por terem cometido um grave atentado aos direitos humanos e às leis internacionais.
Renata Bars