Três pessoas foram detidas após realizarem um protesto contra a Rede Globo durante uma sessão solene no plenário da Câmara Federal, que homenageava, nesta terça-feira (14), os 50 anos da emissora.
Os manifestantes foram detidos pela Polícia Legislativa depois que gritavam “A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”, em meio ao discurso do deputado federal Heráclito Fortes (PSB-PI). Dois deles são militantes da Frente Nacional pela Democratização da Mídia e pediam ainda pela democratização dos meios de comunicação.
O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), da qual a UNE faz parte, lançou uma nota em que repudia a ação da polícia legislativa e considera “um verdadeiro atentado à democracia que um protesto pacífico e silencioso seja impedido de se realizar num espaço que deveria justamente ouvir os anseios e reivindicações da população”, diz trecho. Estudantes também foram retirados do local. A censura ao direito de manifestação e o proibicionismo tem se mostrado o modo operante da casa parlamentar nos últimos tempos.
Leia na íntegra a nota do FNDC e veja o vídeo abaixo:
FNDC repudia cerceamento à liberdade de expressão
Três ativistas foram detidos hoje pela polícia legislativa da Câmara dos Deputados por protesto pacífico e silencioso contra o monopólio midiático
O Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) repudia a ação da polícia legislativa na manhã dessa terça-feira (14/4), no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. Três ativistas foram detidos ao tentar abrir uma faixa que dizia que a Rede Globo apoiou a ditadura, em sessão solene em homenagem aos 50 anos da emissora. Lucas Rezende, Esther Othoni e o secretário executivo do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Pedro Rafael Vilela, foram detidos e depois expulsos da Câmara após o fim da sessão.
É um verdadeiro atentado à democracia que um protesto pacífico e silencioso seja impedido de se realizar num espaço que deveria justamente ouvir os anseios e reivindicações da população. Além de não ter permitido a abertura da faixa, numa evidente violação do direito constitucional à liberdade de expressão, o espaço já havia sido fechado para não convidados, diferente do que costuma acontecer em sessões solenes. Estudantes que não tinham convite foram retirados do plenário por seguranças, e as galerias também estavam fechadas.
O caso mostra a força do poder midiático, sua forte relação com o poder político e o quanto isso é prejudicial para a democracia brasileira. A defesa da liberdade de expressão, alegada pela Rede Globo quando são reivindicadas mudanças na legislação do país sobre a comunicação, só vale para um lado. É por isso que reiteramos a urgência do debate público sobre a regulação da mídia em nosso país e exigimos que os Poderes Legislativo e Executivo façam a sua parte para garantir a democratização da comunicação. Só assim a liberdade de expressão poderá ser efetivada como um direito de todos os brasileiros e brasileiras, e não apenas daqueles que controlam os meios de comunicação de massa no país.
Brasília, 14 de abril de 2015.
Da Redação