Alguns momentos e mesas do Congresso da UNE têm intensos embates saudáveis de ideias entre a juventude. Porém, apesar de todas as possíveis discordâncias entre estudantes de diversas ideologias e tendências, há algo sempre em comum: a vontade e disposição em mostrar sua voz. Isso ficou refletido, na tarde desta quinta-feira (30), no debate sobre a conjuntura nacional e internacional do Congresso da UNE em Goiânia. Entre os temas de destaque estiveram os conflitos pelo mundo, o desenvolvimento do país, as reformas estruturais e a educação brasileira.

Participaram da composição da mesa o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE); a coordenadora da Marcha Mundial de Mulheres, Nalu Faria; a diretora nacional do Partido Socialismo e Liberdade, Luciana Genro; e o integrante comitê central do Partido Comunista Revolucionário, Fernando Alves de Souza.

O auditório da faculdade de Educação da UFG foi completamente tomado pelos estudantes, suas bandeiras e gritos de guerra. O clima era de calor, apesar do outono já avançado. No palco e na plateia, os debates também esquentaram. O tema principal da conversa foi a crise do capitalismo no mundo atual, suas consequências para a população e para a juventude.

Um dos grandes temas que mobilizaram os estudantes foi a posição dos movimentos sociais e da esquerda brasileira em relação aos recentes conflitos no Oriente Médio, como a Síria e a Líbia. Parte dos jovens posicionou-se a favor dos movimentos rebeldes de derrubada dos regimes desses países. Outra parte questionou e condenou esse movimento argumentando contrariamente ao ataque organizado de grandes potências capitalistas mundiais à soberania dos povos.

“Entrar na onda do apoio às ações militares de Obama (presidente dos Estados Unidos), Ângela Merkel (chanceler da Alemanha) e do governo de Israel não dá”, afirmou o senador Inácio Arruda em um dos momentos do debate. A diretora nacional do PSOL, Luciana Genro foi em direção contrária: “Derrubar uma ditadura nunca é errado”. Segundo ela, a solidariedade dos jovens brasileiros deveria ser a favor das populações que estariam sendo oprimidas pelos líderes desses países orientais.

Para além das chamadas “primaveras” do outro lado do mundo, a discussão abrangeu a situação da América Latina, o papel do Brasil no mundo, a economia brasileira, os gastos o governo com os juros da dívida pública, a reforma agrária, a democratização dos meios de comunicação, o combate ao racismo, ao machismo e à homofobia.

Representando um dos principais movimentos sociais do país, a coordenadora da Marcha Mundial das Mulheres disse que as discussões travadas pelos jovens dentro da UNE, e mesmo sua polarização em opiniões divergentes é muito importante. “Quando as opiniões estão polarizadas, temos mais chance de chegar ao cerne dessas questões e avançar¨, declarou Nalu Faria. “Hoje temos um processo complexo de organização do Brasil e da América Latina, temos de olhar o conjunto para não inferirmos no erro”, opinou.

Fernando Alves, do PCR, trouxe a questão da precarização do trabalhador e da juventude: “É muito importante que tenhamos os debates e as polêmicas para ter consciência de qual rumo devemos tomar nessa luta”, disse. O senador Inácio Arruda reforçou a crítica ao quadro histórico de desigualdades no país, mas defendeu os recentes número de criação de empregos no país, a partir das duas últimas gestões do governo federal.

Em sua fala final, no meio das tensões e do barulho dos debate, o senador também celebrou o fato da UNE ser o espaço para esse encontro de ideias: “Essa é uma conquista em um processo de conquista da democracia, no qual muitos dos nossos ex-companheiros perderam suas vidas. Muitos derramaram sangue para estarmos falando aqui hoje”, relembrou.

Da Redação