“Niemeyer construiu Brasília para ser ocupada pelo povo, pela juventude, pelos trabalhadores”. Foi carregado desse sentimento que o presidente da União Nacional dos Estudantes, Daniel Iliescu, compareceu ao velório de Oscar Niemeyer, hoje (06/12), em Brasília, para prestar a homenagem de todos os estudantes brasileiros a ele, que foi uma das personalidades mais brilhantes, arrojadas e comprometidas com a causa social do país.
“Cruzando as largas ruas de Brasília, a caminho do velório, percebi mais uma vez que Niemeyer construiu uma cidade livre de preconceitos. A capital do nosso país é a esfera da construção do dia que o povo vai chegar ao poder. Cada passeata que a UNE já fez, e fará, aqui, tem e sempre terá como cenário Niemeyer”, afirmou o presidente da entidade.
Por volta das 22:45h da noite de ontem, 5/12, despediu-se do mundo um dos maiores arquitetos de todos os tempos, Oscar Niemeyer. Durante uma rápida conversa com o site da UNE, Daniel, relembrou seu primeiro encontro com Niemeyer e comentou o legado que o arquiteto deixa, além de suas curvas de concreto espalhadas pelo mundo, para a humanidade.
O 1º encontro e a reconstrução
“Eu era presidente da UEE-RJ. Fui com a Lúcia (Stumpf, presidente da UNE de 2007-2009) e com mais alguns companheiros da entidade. Ele estava com 99 anos, um senhor muito lúcido em sua cadeira de rodas. Nos perguntou sobre a luta da UNE, sobre o Lula, sobre o Hugo Chavez”.
O encontro com o grande arquiteto, na sala de seu escritório em Copacabana, aconteceu em 2010, quando a UNE foi presenteada com um desenho do mestre contendo a planta da nova sede da entidade.
Sempre comprometido com as causas sociais brasileiras, ao presentear a UNE com a planta, Niemeyer passou a fazer parte de mais um importante capítulo da história recente do Brasil, talvez um dos mais bonitos episódios da democracia brasileira, a retomada do terreno da Praia do Flamengo, 132, e a conseguinte reconstrução da sede da entidade da União Nacional dos Estudantes.
“Essa é a casa dos sonhos invencíveis. A UNE luta para mudar o futuro do país, luta para que os royalties do petróleo sejam investidos na educação para transformar o futuro. Niemeyer, aos 99 anos, ao fazer um projeto como esse, que é a ressurreição do poder jovem, e participar desse símbolo, se reafirma como um jovem que quer mudar o país”, disse Daniel.
As obras da sede da UNE começaram oficialmente no dia 11 de agosto, quando a entidade comemorou seus 75 anos de luta. O arquiteto responsável pelo projeto é o neto de Niemeyer, João Niemeyer.
O legado do mestre das curvas de concreto
Daniel relembrou uma entrevista de Niemeyer na época de seu aniversário de 100 anos, em que ele era questionado pelo repórter sobre sua opinião em relação a sua grandeza como arquiteto. Em resposta à pergunta, afirmou: “Isso é besteira. O importante é que nosso projeto socialista vencerá um dia”. E ainda pontuou: “Apesar de ser um gênio, Niemeyer se compreendia dentro de uma perspectiva histórica”.
“Acho que o maior ensinamento que Niemeyer deixa é a humildade que tinha, apesar de seu gigantismo. Com 99 anos ele se reuniu com a juventude e sentou como um companheiro, discutindo ideias e falando com a UNE sobre a importância e o simbolismo da reconstrução da nossa sede. Ele estava preocupado com o processo histórico, com a transformação”, finalizou Daniel.
Da Redação