Carlos Diegues nasceu no dia 19 de maio de 1940 em Maceió, Alagoas, numa família de pequenos proprietários rurais. Mudou-se para o Rio de Janeiro aos seis anos e ingressou no curso secundário em Botafogo, no Colégio Santo Inácio. Na adolescência, envolve-se intensamente com o cinema. Em 1959, iniciou o curso de direito na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, onde foi eleito presidente do Diretório Estudantil. Nesta época, funda um cineclube e inicia suas atividades como cineasta amador juntamente com Arnaldo Jabour, Paulo Perdigão, Davi Neves, entre outros.

Fez parte da direção do órgão oficial da União Metropolitana dos Estudantes (UME), o Jornal Metropolitano e foi um dos participantes do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC/UNE). Tanto o jornal quanto o grupo da PUC, se tornam, mais tarde, os núcleos fundadores do Cinema Novo, do qual é considerado um dos líderes junto com Glauber Rocha e Leon Hirszman. Já no início da década de 1960, Diegues produz os documentários Fuga e Domingo e, como cineasta profissional pelo CPC, dirige o documentário Oito Universitários e também seu primeiro filme em 35mm Escola de Samba Alegria de Viver, episódio do longa-metragem Cinco vezes favela, em 1962.

Trabalhando como jornalista, Diegues escreve críticas, ensaios e manifestos cinematográficos para jornais do Brasil e do mundo, enquanto realiza os seus três primeiros longas-metragens: Ganga Zumba (1964), A Grande Cidade (1966) e Os Herdeiros (1969). Foi resistindo intelectualmente à ditadura militar que Diegues teve que exilar-se na Europa, primeiro na Itália e, depois, França.

De volta ao Brasil, em 1972, gravou Quando o Carnaval Chegar e em 1973 Joana, a francesa, com a atriz francesa Jeanne Monreau. Em 1976 ele dirige seu maior sucesso popular no Brasil, Xica da Silva. Logo após o fim da ditadura, toda estrutura contestadora do Cinema Novo perdeu a razão de ser, e a polêmica cultural passou por uma reformulação de conteúdo com a utilização de novas idéias. Neste período de redemocratização do Brasil, realiza Chuvas de Verão (1978) e Bye Bye Brasil (1979), narrando as dificuldades de sobrevivência de artistas circenses, numa crítica ao sufocamento da cultura regional pela cultura de massa.

Em 1981, é convidado para ser júri no Festival de Cannes. Em 1983, dirige Quilombo, uma produção internacional comandada pela Gaumont francesa. Começou, nesse período, a discutir a viabilidade da Embrafilmes. Em 1987, grava Um Trem para as Estrelas e, em 1989, Dias Melhores Virão. Com o Governo Collor, diminui-se significativamente a produção nacional de filmes e Diegues grava somente Veja esta Canção, em 1994, com a parceria da TV Cultura. Quando a nova Lei Audiovisual foi promulgada, ele era um dos únicos cineastas brasileiros ainda em atividades produzindo video-clipes, comerciais e documentários.

Em 1996, lança Tieta do Agreste e, em 1999, o filme Orfeu, uma adaptação da peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes. Em 2001, lança seu 16º longa-metragem Deus é Brasileiro. Recebeu inúmeros prêmios, dentre eles, o Troféu Eduardo Abelin, pelo conjunto da obra, em Gramado, no dia 20 de agosto de 2003.

Foi casado com Nara Leão, com quem teve dois filhos. Divorciado, casou-se com Renata de Almeida Magalhães, com quem teve duas filhas.

[Fontes: Entrevista concedida ao projeto Memória do Movimento Estudantil em 27 de outubro de 2004; “O CPC da UNE”, BARCELOS, Jalusa, Editora Nova Fronteira, 1994; “Cacá lança ‘Quilombo’ e diz: ‘são dez anos de Nova York'” IN: O Globo, 29 de março de 1986. “Deus e Cacá são brasileiros” IN: Jornal do Brasil, 30 de abril de 2000; “Cinema é trabalho” IN: Jornal do Brasil, 03 de setembro de 1994 ].

Feito por Itamar de Assis Jr. em 14 de janeiro de 2005.