O Centro Acadêmico dos Estudantes de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (CAEG) realizou uma assembleia em sua sede, no último dia 9 de outubro, e decidiu por unanimidade apoio à reeleição da presidenta Dilma Rousseff no 2º turno das eleições presidenciais.

Após ampla discussão realizada com estudantes e professores de diferentes gerações, com debate sobre as realidades do curso de Geologia e da UFRGS, a conclusão é que o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1994 a 2002) foi reconhecido como um período bem distinto dos governos Lula e Dilma no que diz respeito, principalmente, à educação.

A entidade divulgou uma carta que reitera o seu caráter livre e apartidário, mas ressalta também o seu papel dentro da sociedade. “Não nos eximindo nunca de debater, refletir e nos posicionar politicamente quando achamos necessário”, diz trecho do documento. O CAEG reconheceu os numerosos avanços socioeconômicos e as garantias dentro das universidades nos últimos 12 anos.

A carta elenca ainda vários argumentos e a análise de dados nacionais e internacionais para manifestar o apoio ao projeto de Dilma e destaca suas “claras políticas pró causas sociais” e “sua postura de destinação do lucro do pré-sal para a educação e a saúde dos brasileiros”.

Leia abaixo a integra do documento:

CARTA ABERTA DO CENTRO ACADÊMICO DOS ESTUDANTES DE GEOLOGIA À POPULAÇÃO BRASILEIRA:

DIGA NÃO AO RETROCESSO!

Porto Alegre, 17 de outubro de 2014

Por meio da presente carta, o Centro Acadêmico dos Estudantes de Geologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – CAEG – manifesta apoio à reeleição da presidenta Dilma Rousseff. Em assembléia realizada em sua sede1, no dia 9 de outubro de 2014, foi decidido por unanimidade que o centro acadêmico deve se posicionar em apoio à candidata tanto em reconhecimento aos numerosos avanços socioeconômicos nacionais quanto àqueles garantidos dentro das universidades nos últimos 12 anos, período dos governos Lula e Dilma.

Reiteramos aqui que o CAEG é e sempre foi um diretório de caráter livre, apartidário. Não seguimos doutrinas políticas ditadas por partidos, mas estamos cientes do nosso papel dentro da sociedade, não nos eximindo nunca de debater, refletir e nos posicionar politicamente quando achamos necessário. Atuamos em lutas importantes para os estudantes de geologia, como fizemos ao debater os problemas do Novo Código da Mineração, assim como indo pras ruas, participando ativamente das Jornadas de Junho de 2013, lutando contra o aumento abusivo da passagem de ônibus.

Após ampla discussão realizada com alunos e professores de diferentes gerações, em que foram apontadas e debatidas as realidades do curso de Geologia e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul durante o governo FHC e durante os governos Lula e Dilma, foram reconhecidos dois períodos bem distintos.

O primeiro, com políticas de diminuição das funções do Estado e em prol do capital financeiro internacional, foi o retratado do abandono do ensino público e de qualidade. Abandono esse caracterizado pelos baixos investimentos e incentivos, pela deterioração das estruturas físicas, pelo desrespeito salarial aos professores e servidores e, inclusive, pelo atentado do caráter gratuito da universidade.

“Durante oito anos, eu vi a universidade pública ser sistematicamente sucateada a minha volta… Durante oito anos, eu vi pesquisadores excepcionais indo embora do país ou se aposentando precocemente, pela falta de perspectivas… Durante oito anos eu participei das greves mais extensas da história das universidades públicas, ouvindo o deboche de um ministro da educação em resposta as minhas reivindicações… Foi entre 1995 e 2002. Eu não esqueci, nem vou esquecer, mas parece que muitos já nem lembram mais…” (Professor Doutor Cesar L. Schultz)

O segundo, com políticas de aumento econômico e funcional do Estado e em prol do desenvolvimento e redistribuição dos capitais nacionais, foi o quadro da retomada de melhorias no ensino público, de qualidade e gratuito. Melhorias essas caracterizadas desde investimentos em infraestrutura, aumentos de vagas, aportes de equipamentos de ensino e pesquisa, disponibilidades de bolsas de serviço, de ensino, de extensão e de iniciação científica, inclusive no exterior, com o programa Ciência Sem Fronteiras, dos aumentos de auxílios aos estudantes, fomento à pesquisa através do CNPq e da criação do emblemático sistema de cotas para pessoas negras e indígenas, dentro das chamadas “Ações Afirmativas”.

“O avanço na educação superior verificada nos últimos 12 anos não tem precedentes na história do Brasil. Seja na ampliação do acesso às camadas populares historicamente excluídas, seja quanto à infra-estrutura universitária, laboratorial e científica e, ainda, quanto às carreiras dos docentes, dos técnicos e, por fim, também quanto aos incentivos aos estudantes, inclusive com bolsas de estudos no exterior.” (Professor Doutor Rualdo Menegat)

Foi decisiva também para sustentar o presente posicionamento, a análise de dados a nível nacional e internacional que refletem os avanços sociais que o país vive hoje e que tornam coerente o repúdio ao retrocesso e o apoio à continuidade do governo Dilma. Nos últimos anos, o Brasil vive um dos mais significativos ciclos de desenvolvimento social de sua história. São dados publicados em sítios eletrônicos de acesso público2 os que seguem:

1. Conquista alcançada por apenas 35 países do mundo, o governo Dilma tirou o Brasil do Mapa da Fome da ONU pela primeira vez em sua história;

2. Com 22 milhões de brasileiros saídos da miséria e a extrema pobreza reduzida em 76%, o governo Dilma tornou o Brasil um país de classe média;

3. 44% das crianças brasileiras até 12 anos nunca tiveram uma cárie, graças ao programa Brasil Sorridente, existente a partir do governo Lula;

4. Criado por Lula e mantido por Dilma, O Vale-Cultura teve destino certo: 88% do valor distribuído foi gasto em livrarias.

5. O programa Minha Casa/ Minha Vida foi ampliado pelo governo Dilma e com 3,6 milhões de moradias contratadas e entregues é o maior programa habitacional da história brasileira;

6. O programa Mais Médicos foi criado pelo governo Dilma e já beneficiou 50 milhões de brasileiros, tendo 95% de satisfação entre os atendidos;

7. Na Conferência da Cúpula da ONU sobre o Clima, Dilma afirmou: “Ao longo dos últimos 10 anos, o desmatamento no Brasil foi reduzido em 79%. O Brasil, portanto, não anuncia promessas. Mostra resultados.”;

8. O governo Dilma foi exemplo mundial de gestão financeira durante uma grave crise econômica internacional ao alcançar a menor taxa de desemprego da história brasileira e garantir o salário mínimo com maior poder de compra dos últimos 30 anos;

9. Com oito milhões de matrículas gratuitas em cursos técnicos e sendo o maior programa de qualificação profissional da história brasileira, o programa Pronatec foi criado pelo governo Dilma;

10. Nos doze anos dos governos de Dilma e Lula foram criadas 18 universidades federais, 173 campi universitários e 422 escolas técnicas;

11. O investimento estrangeiro no Brasil passou de 17 bilhões de dólares, em 2010, para mais de 60 bilhões de dólares projetados para o ano de 2014;

12. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, pela primeira vez em nossa história, votam mais brasileiros com diploma universitário do que analfabetos.

Esse desenvolvimento social tem sido combatido e escondido pelas forças representantes do retrocesso, comandantes e comandadas pelo grande capital financeiro e pela grande mídia. No Brasil, essas forças reacionárias têm hoje um representante como candidato à presidência da República. O retrocesso tem nomes como: privatização da Vale do Rio Doce3, sucateamento de instituições públicas e ausência de programas sociais, prejuízos irreparáveis que herdamos do governo FHC, do mesmo partido de Aécio Neves.

Reconhecemos que ainda há muito para avançar, mas vemos no atual governo uma postura muito diferente das tendências expressas por FHC quando este esteve também no governo. Entendendo a importância de abordar temas diversos com relação aos interesses da sociedade, o Centro Acadêmico dos Estudantes de Geologia ainda manifesta sua última colocação. O apoio à Dilma pode ser ideológico e/ou racional, mas com certeza apresenta um caráter pragmático e estratégico de suma importância, seja ele: o pré-sal.

O pré-sal é a uma importante reserva de petróleo que renderá ao país receitas que nunca tivemos, receitas da ordem de 3-5% do PIB brasileiro ou US$50 bilhões em exportações anuais4. Os destinos dessa riqueza estão em jogo nas eleições que se aproximam. Temos de um lado, Aécio Neves, que representa as políticas neoliberais de entrega da riqueza para as mãos do livre mercado. Não queremos que aconteça com o pré-sal o mesmo que ocorreu com a Vale do Rio Doce no último governo do PSDB, que foi vendida a um preço muito menor do que valia e hoje gera lucros enormes com as riquezas brasileiras, que vão para os bolsos dos donos do capital internacional e não são revertidos em benefícios para o país. Do outro lado temos Dilma Rousseff, que representa claras políticas pró causas sociais e manifesta publicamente sua postura de destinação do lucro do pré-sal para a educação e a saúde dos brasileiros.

A PETROBRAS É NOSSA!

O PRÉ-SAL É NOSSO!

DIGA NÃO ÀS FORÇAS DO RETROCESSO!

DIGA SIM AOS AVANÇOS SOCIAIS!

VOTE DILMA PRESIDENTA!

O CAEG convida toda a comunidade acadêmica (DAs, CAs, DCE, ASSUFRGS, ADUFRGS e coletivos) a juntar-se nesta luta!

Atenciosamente,

CENTRO ACADÊMICO DOS ESTUDANTES DE GEOLOGIA.

Leia mais:

1 Vídeo da votação CAEG:

2 Resultados do Governo do PT nos últimos 12 anos: http://www.dilma.com.br/noticias http://www.planejamento.gov.br/secretarias/upload/Arquivos/sof/publicacoes/Revista_OFAT_2014.pdf

3 Sobre a privatização da Cia. Vale do Rio Doce: http://www.brasildefato.com.br/node/13191

4 Sobre as expectativas do Pré-sal: http://www.fazenda.rj.gov.br/sefaz/content/conn/UCMServer/uuid/dDocName%3A1724036

 Da Redação