Esse ano, os estudantes tiveram uma participação diferente no carnaval de Salvador. A cidade, que tradicionalmente organiza a maior festa do mundo, recebeu com entusiasmo, na segunda-feira de carnaval, o trio independente “Bolinho de Estudante”, idealizado pelas entidades estudantis UNE, UBES, UEB, ABES e pelos jovens artistas e universitários Juan e Ravena. A dupla já tem a sua história marcada nos festejos baianos e contou com a participação de Ludmillah Anjos para animar o circuito Barra-Ondina, que começou a ferver às 21h.
“Bolinho de Estudante” é uma comida típica da Bahia feita de coco, açúcar e tapioca. Uma iguaria que pode ser facilmente encontrada no tabuleiro de qualquer baiana de acarajé. Apelidar assim um trio elétrico no carnaval de Salvador possui valor simbólico importante, sobretudo no ano em que a 9ª Bienal da UNE contribuiu para fortalecer o braço cultural do movimento estudantil em todo país. Esse nome valoriza e dá visibilidade a um aspecto material importante da cultura da Bahia e que ainda não é reconhecido como patrimônio cultural da cidade. Contextualizado, “Bolinho de Estudante” pode ser associado também a outras conotações, por exemplo, a de vários estudantes reunidos, seja para se divertir, para pensar um novo modelo de sociedade ou para fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Qual a contradição?
FESTA E LUTA
Alegria, irreverência e empoderamento foram as palavras de ordem nesse carnaval dos estudantes. A presidenta da UEB, Marianna Dias; a presidenta da UBES, Bárbara Melo; e o presidente da ABES, Nadson Rodrigues, saudaram os foliões com bastante entusiasmo ao desejar que todos aproveitassem a festa sem esquecer do combate a toda forma de opressão. Assim, o trio “Bolinho de Estudante” pintou o circuito Barra-Ondina de todo o vanguardismo da juventude que quer ser empoderada, divertir-se livremente sem machismo, racismo, homofobia e também não quer ser vista apenas como nicho de mercado, mas que reivindica o acesso democrático a lazer e cultura, tanto por meio da construção de espaços gratuitos, como por meio da regulamentação da meia entrada.
Conquistar um espaço no carnaval de Salvador para as entidades estudantis se expressarem livremente é fazer um gol pela democracia e livre organização da juventude. O ano de 2015 já está marcado como de muita luta dos estudantes que reivindicam o passe livre, o fim da noção mercadológica da educação, uma reforma no ensino médio, a reestruturação das universidades estaduais baianas, a regulamentação do ensino privado, dentre outras bandeiras.
“A UEB gostaria de agradecer a Bahiatursa que possibilitou a concretização desse projeto. Gratidão também à dupla Juan&Ravena e Ludmillah Anjos, pelo desafio proposto e pela energia doada e a todos os estudantes presentes que fizeram a festa. Continuaremos na luta pelo direito de festejar e pelo direito de lutar. Vida longa ao Bolinho de Estudante e em 2016 convidamos toda a juventude do Brasil para curtir o carnaval com a gente!”, convoca Marianna Dias.
DE SALVADOR, MUSA RAMALHO (UNIÃO DOS ESTUDANTES DA BAHIA)