Grande “Fla-Flu” brasileiro, uma discussão desperta rivalidades de sotaques pelo Brasil: biscoito ou bolacha?

Essa variação linguística foi tema central nesta segunda-feira (2) na mesa de debate “Vozes do Brasil, traduzindo a brasilidade”, com o professor do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução da UnB (Universidade de Brasília) Marcos Bagno e a coordenadora do Núcleo Educativo do Museu da Língua Portuguesa (SP), Marina de Toledo.

O assunto dialoga diretamente com o tema desta edição da 9ª Bienal da UNE,.#VozesdoBrasil. Os debatedores partiram do pensamento primário e norteador de que o fenômeno “variação linguística” perpassa todo o momento da formação e estruturação da língua. Ao retornar à língua-mãe, latim, é possível perceber que houve – e sempre vai haver – mudanças renovadoras da língua.

“É preciso compreender que tais mudanças, como se pensava no início, não se encerram somente no tempo, mas também se manifestam no espaço, nas camadas sociais e nas representações estilísticas”, explicou Marina de Toledo.

A resposta para a questão do título deste texto está nessa premissa. Graças à variação lingüística, é possível bater no peito e dizer “bolacha” ou “biscoito” com orgulho, sem medo de errar. “A língua é uma coisa viva” disse Bagno.

LÍNGUA E PODER

Para Bagno, a língua é uma entidade social em constante transformação, que se reinventa todos os dias. “[É] Uma das principais manifestações da nossa brasilidade, formada por inúmeros sotaques e expressões.”, reiterou.

Também esteve em pauta no debate o papel da língua como instrumento de opressão e preconceito de elites que não aceitam variações linguísticas e regionalismos dos mais simples. É o “preconceito linguístico”, na expressão de Bagno, para quem “rejeitar a língua é rejeitar a própria pessoa e a comunidade de que ela faz parte”.

DIVERSIDADE NA BRASILIDADE

O Museu da Língua Portuguesa, segundo Marina Toledo, trata da língua portuguesa e da cultura brasileira como identidade, não perdendo de vista a diversidade que lhe é inerente. “O que é certo? O que é errado? Cada estado tem sua peculiaridade e devemos preservar isso sem preconceito”, disse.

Da Redação