O som foi o combustível e o suor a consequência da animação dos jovens que encheram o Espaço Gonzaguinha, no complexo do Carmo em Olinda, para um minicurso de coco e suas vertentes ministrado pela Mãe Beth de Oxum. O espaço foi pequeno para abrigar a quantidade de interessados, que dançavam o ritmo até além da tenda. 

Batendo palmas e marcando a toada, Mãe Beth de Oxúm começou ensinando os passos básicos da dança que aprendeu com seus avós. O sapateado específico deu espaço às umbigadas, que logo animaram a estudantada para arriscar os primeiros batuques nos instrumentos.

O coco na sua essência possui influências africanas e indígenas, sendo realizado em festas populares nordestinas sempre em rodas, acompanhado de cantoria e executada em pares. 

Estudantes de vários estados, que não sabiam que existia uma dança chamada coco, tiveram a oportunidade de conhecer essa cultura. É o caso da estudante da Faculdade de Tecnologia e Ciência de Itabuna-BA, Claudinete Georgina que, encantada com os passos, ousou até tocar os instrumentos.

“Esta é a minha primeira Bienal. Gostei de contemplar outras culturas e ter a oportunidade de conhecer cada movimento. O nosso país é tão imenso que tomamos até um susto e isso é o  máximo!”, conta.

Para Beth, a 8ª Bienal da UNE alcança o objetivo de ofertar aos estudantes a cultura local. “A Bienal cumpre o papel de juntar a moçada e trazer para conhecer essa realidade, essa riqueza maravilhosa que existe no nosso país e não é vista, mostrando a cultura que acontece cotidianamente”.

Ponto de Cultura Coco de Umbigada

Com uma das maiores densidades demográficas e um baixo índice de desenvolvimento na cidade de Olinda, o bairro de Guadalupe abriga o Ponto de Cultura Coco de Umbigada, projeto que auxilia na inclusão social de jovens por meio da memória e difusão da cultura afro.

Além da brincadeira de coco, o espaço abriga a rádio comunitária Amnésia , que possui em sua perspectiva a ideia de afirmação, transmitindo músicas que não tocam na mídia e 
o Cineclube Macaiba, que produz vídeos e documentários de cultura popular e matrizes africanas.

“Fazemos a difusão da nossa cultura no gargalo mesmo. Precisamos mostrar este Brasil que está escondido, este país de tambores e cores”, reforça Beth.

O Lado C, projeto dentro da Bienal da UNE que leva os estudantes para conhecerem as comunidades locais fará uma visita ao Ponto de Cultura Coco de Umbigada na quinta-feira (24). O ônibus sairá em frente ao Espaço J. Borges, na Biblioteca Municipal de Olinda às 9h, retornando ao ponto de partida às 19h.

Thatiane Ferrari

Foto: Adolfo Solteria