Acordar e dormir, cada dia em uma cidade diferente tem sido a rotina do diretor da UEE-SP, Rafael Lacerda. É que ele, junto das produtoras Isabelle Gasparini e Raquel Borges, está na estrada desde o dia 4 de março realizando a pré-produção da mais ousada iniciativa da entidade, o Circuito UniverCidade. 

Como coordenador-geral da caravana, Rafael estará à frente do Circuito que durante 45 dias irá percorrer 12 cidades e 15 universidades públicas e privadas do estado. 

Ao longo da jornada, a ideia do projeto é discutir com a comunidade acadêmica o tema das cidades enquanto espaço de convívio e trocas humanas.

“O Circuito pretende influenciar o pensamento crítico dos estudantes que participarão das atividades, integrando o debate com as pautas do movimento estudantil”, conta.

Natural de Piracicaba, o amor pelo interior de São Paulo é natural, assim como o seu sotaque. Nesta conversa, Rafael conta como está sendo a experiência de percorrer todo o estado, quais são os objetivos desta jornada e o que cada cidade ganhará de bom ao final do Circuito. Leia abaixo a íntegra do bate papo. 

Em seus 75 anos de vida, a UNE realizou diversas caravanas por todo o Brasil. Seguindo estes passos, a UEE-SP realiza nesta gestão sua primeira jornada pelo estado. Como você avalia este momento histórico da entidade?

Todas as Caravanas da UNE, sem exceção, pautaram cada uma da sua forma, a melhoria do nosso país. Acredito que a UEE-SP esteja no rumo certo, trilhando este mesmo caminho. Hoje, mais do que discutir o acesso as universidades, estamos discutindo a permanência dentro delas. A mesma coisa vale para o nosso estado. Queremos junto com os intelectuais, professores e pensadores unir esforços para encontrar soluções criativas para estas cidades, que muitas vezes cresceram de maneira desordenada. 

Por que o nome Circuito UniverCidade?

No momento em que a pauta política do país se volta para a discussão dos mais diversos projetos para as cidades, a UEE-SP vê a necessidade de formular uma plataforma de propostas a serem apresentadas aos candidatos do pleito que se aproxima, versando sobre os principais problemas relativos as cidades, com base no debate acadêmico, e visando a obtenção de soluções práticas para estes problemas. Então numa brincadeira com as palavras Universidade e Cidade, focos do nosso projeto, surgiu o nome “Circuito UniverCidade”. 

O Circuito UniverCidade levará para cada lugar visitado, um tema a ser debatido. Quais foram os quesitos para a escolha dessa divisão?

Na escolha das temáticas que seriam abordadas em cada uma das regiões, buscamos nos atentar muito a discussão travada nas cidades e nas universidades pelas quais o Circuito estará passando, na buscando um material final de maior qualidade.

Você acredita que o Circuito UniverCidade irá estruturar e fortalecer o movimento estudantil dentro do estado? 

A idéia de percorrer toda dimensão territorial que a entidade representa, realizada em momentos históricos distintos, é muito importante para que a UEE-SP se faça presente em toda a diversidade, do ponto de vista estrutural, pedagógico e cultural. Além disso, a construção das atividades a serem realizadas deixará frutos positivos para todos. As Caravanas do movimento estudantil sempre tiveram esse caráter. A de 62 foi importantíssima para a consolidação do Centro Popular de Cultura, o CPC da UNE. 

Opinar e questionar sempre foram uma prática típica da juventude. Como você avalia hoje a participação dos jovens, em especial os estudantes, na discussão de pautas como a do Circuito, que envolve o debate sobre o espaço público e a relação da juventude com cidade?

O ambiente Universitário, pela pluralidade característica, é terreno fértil para a construção das alternativas que são necessárias para solucionar os problemas que nos propusemos a discutir. Acredito que pelo alinhamento das temáticas propostas, junto com as pautas debatidas nas cidades, as soluções que irão surgir serão de muita qualidade, uma vez que já são pautas da juventude que vive e enfrenta os problemas destes locais. 

Com os debates e as atividades culturais, qual o legado que a UEE-SP espera deixar em cada cidade visitada?

A Caravana pretende influenciar o pensamento crítico dos estudantes que participarão das atividades, visando a integrar cada vez mais estudantes com as pautas do movimento estudantil nacional e estadual. Na área da cultura, a expectativa é que o Circuito seja o espaço para a articulação do Circuito Universitário de Cultura e Arte (CUCA) nessas regiões, tendo em vista a difusão da produção cultural Universitária, e a organização desses atores locais em rede.

No final da jornada pelas 15 universidades e 12 cidades, será realizada uma plataforma política para as eleições municipais de 2012. Como se dará a segunda etapa deste projeto?

Com base nas propostas e soluções levantadas em cada uma das etapas do Circuito, que serão documentadas em áudio, vídeo, fotos, além do registro escrito, serão elaborados materiais finais nas diferentes mídias, com um pouco do que aconteceu em cada etapa. Com isso, criaremos uma plataforma política que direcionará o posicionamento da UEE-SP no pleito que se aproxima.

Você está na estrada desde o dia 4 de março com a pré-produção. O que tem te motivado a ficar tanto tempo viajando, realizando este projeto? 

Viajar por três meses, com a Isabelle e a Raquel (nossas queridas produtoras), conhecer o estado todo, o que rola de bom em cada um desses lugares e muita gente massa, não é um motivo por si só? Além disso ainda tem a construção de um grande projeto, que em último caso, vai proporcionar muita história pra contar quando for velhinho (risos). 

O que não faltará na sua bagagem para esta jornada de mais de 70 dias na estrada? Algum livro ou música especial?

Bom, a gente gosta de ouvir música bem alto no carro, entre uma agenda e outra, e uma música que expressa muito do que a gente vem vivendo é “Como nossos pais”, que mostra um pouco do ousadia da juventude. 

Thatiane Ferrari (UEE-SP)