Para quem está habituado com a urbanização das cidades e com a facilidade de comprar um produto no mercado sem pensar qual a sua origem e para onde vai a embalagem está um tanto atrasado nos requisitos básicos de preservação do meio ambiente. Por acaso, você sabe de onde vem a água que bebe?
Para entender um pouco melhor as necessidades socioambientais atuais, o Circuito UniverCidade promoveu um dia inteiro de atividades em Sorocaba, na quinta-feira, dia 12. Os estudantes da UNISO ocuparam o auditório nos dois debates e estiveram presentes em todas as atividades, sem exceção. Dada à importância do assunto, eles se demonstraram muito interessados em ajudar a promover um ambiente melhor para todos.
Início do dia

Logo pela manhã, o debate sobre o Rio+20 contou com a presença do reitor da Universidade Professor Dr. Fernando de Sá Del, o Coordenador da Faculdade de Engenharia Ambiental Professor Dr Henry L. Martins, o representante do Fórum Social de Sorocaba, Bruno Franques e o presidente do DCE da Universidade, Renan Santos.
Eles ressaltaram que os desafios socioambientais envolvem questões amplas: políticas, econômicas, sociais e ambientais. Segundo Bruno Franques, “a verdadeira catástrofe do meio ambiente está no consumo exacerbado. Para pensar a respeito, nasceu o Fórum Social Mundial”.
A Rio+20, contudo, se define como uma conferência governamental que concentrará em renovar o compromisso político com o desenvolvimento sustentável, retomando o encontro que ocorreu 20 anos atrás, na Rio 92. “Mas, ela está sendo encarada pelos movimentos sociais como mais uma investida daqueles que se consideram os donos do mundo contra os movimentos que questionam sua forma de atuação”, diz o representante do Fórum Social Mundial.
Por isso nasceu a Cúpula dos Povos, movimento que reúne a sociedade civil, para contrapor a Rio + 20 e a “roupagem verde”, isto é, o marketing falso da suposta sustentabilidade que revigora a mercantilização dos recursos naturais mantendo seu caráter dominador e opressivo. A reunião da cúpula dos povos acontecerá simultaneamente a Rio+20 para discutir a justiça social e ambiental.
Depois do almoço

Logo após o almoço, conhecemos o Núcleo de Estudos Ambientais da Universidade de Sorocaba. Fundado em 1993, o NEAS é o agente fomentador de ações voltado para solucionar os problemas da cidade. Para a surpresa da equipe, caminhar pela estrada de terra que chegava à sede foi um dos melhores percursos que a caravana concluiu a pé, até agora.
Movidos à beleza da paisagem natural, árvores, flores, animais e muito esterco – claro, pudemos observar o que é praticamente impossível quando estamos dentro de um carro: o ciclo natural das coisas. Pra isso, Marcela Leme, estudante do terceiro ano de Engenharia Ambiental, acompanhou o passeio, acrescentando informações sobre cada atração que deparávamos.
“A falta de conscientização ambiental da sociedade é contraída pela falta de informação. Não me conformo com aquela pessoa que se incomoda com seu próprio lixo, quando aqui em Sorocaba, 80% da população é abastecida por água filtrada do esgoto”.
É isso mesmo. A cidade de Sorocaba recebe todo o esgoto doméstico dos municípios de Ibiúna, Cotia, Vargem Grande Paulista e São Roque e há 30 anos pensa a questão da educação socioambiental para seus moradores.
Fim do dia e o debate principal do Circuito UniverCidade

Manter o equilíbrio entre crescimento da população e qualidade de vida para os moradores é fundamental. Por isso, debater questões sobre o espaço de convívio é importante. Como, então, seria possível amenizar os conflitos das cidades rumo a um ambiente saudável para todos? Quem respondeu essa pergunta foi o articulador da principal atividade do circuito na UNISO: o debate sobre resíduos e meio ambiente.
Ricardo Assadourian pertence à equipe técnica da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana, a AMLURB, da prefeitura de São Paulo. Em pouco tempo de fala, ele conseguiu convencer o público de que não podemos continuar a viver de modo a explorar os recursos naturais de maneira inconsequente, como está sendo feito.
“Só a grande São Paulo gera em torno de 17 mil toneladas de lixo por dia. 1,5Kg de resíduos por habitante. 12 mil toneladas é referente ao lixo domiciliar. Sabemos que encaminhar o lixo para a reciclagem é o correto. Mas precisamos nos atentar aos fatos: a coleta seletiva só atinge 250 toneladas de lixo por dia”.
O princípio dos 3 R’s começa com reduzir. Isso significa que a conscientização sobre o consumo deve existir antes mesmo sair comprando por aí. Sobre a educação ambiental, o reitor da UNISO se declarou a favor das mais diversas mobilizações que gerem efeito a esse despertar.
“A universidade precisa mudar a cara dela, não só ensinar a técnica aos estudantes, mas ajudar na construção do conhecimento. Eventos como o Circuito UniverCidade, por exemplo, possibilitam que a gente amplie as possibilidades de interação, sem deixar de ensinar. É muito bom”.
Mayara Monteiro, de Sorocaba
Foto: Leo Souza