O seminário intitulado “Liberdade, privacidade e o futuro da internet” que ocorreu na última quarta-feira (18/9), na cidade de São Paulo, trouxe como principal atração a videoconferência com o jornalista e fundador do Wikileaks, Julian Assange. O evento foi promovido pela Secretaria Municipal de Cultura em parceria com a Editora Boitempo e contou com a presença de 700 pessoas.

Participaram também o secretário municipal de cultura da capital paulista, Juca Ferreira e a jornalista e colaboradora do Wikileaks, Natália Vianna.

Asilado há mais de um ano na embaixada do Equador em Londres, o jornalista australiano afirmou que os Estados Unidos exercem força sobre o resto do mundo para fazer valer suas leis também no escopo estrangeiro. ‘’Vemos um colapso no estado de direito no ocidente com tamanha vigilância e métodos de espionagem. Barack Obama já espionou mais gente do que a soma de todos os ex-presidentes americanos. Essa forma de administração está se mostrando uma força perigosa’’, alertou.

Considerado pelo secretário de cultura uma discussão estratégica para a democracia brasileira, o debate reafirmou a necessidade da construção de uma lei que garanta a liberdade na internet e restrinja a espionagem.

‘’A internet é um grande instrumento da liberdade de expressão que ao mesmo tempo amplia a possibilidade de controle social. Não dá mais pra pensar em democracia sem pensar na internet e seus desdobramentos’’, avaliou.

Para Assange, o advento da internet potencializou o aparato de vigilância dos EUA e por isso deve ser tratado como um assunto sério. ‘’Ainda há a questão da soberania dos países. Com toda essa vigilância, existe mesmo respeito à soberania? Eu, por exemplo, estou detido sem nenhuma acusação. O Wikileaks apenas comunica os fatos verdadeiros. As pessoas têm direito de saber o que está acontecendo no mundo’’, afirmou.

Questionado sobre a suposta contribuição das redes sociais para as transformações políticas, Assange foi categórico. ‘’Se queremos mudanças significativas precisamos garantir que não seremos pegos pela nossa forma de comunicação. Eu entendo o que é o Facebook, o Google e o que essas instituições fazem por nós. Mas não podemos simplesmente colocar nossos anseios revolucionários nas ferramentas controladas pelos americanos’’, disse.

Quanto a sua condição de asilado, o jornalista contou que “é muito difícil ficar 500 dias numa embaixada, mas é um luxo, ao contrário de vocês que estão aí, eu não posso ser preso. É o lugar mais seguro do mundo para Julian Assange.”

Renata Bars