O sambista Arlindo Cruz fecha o primeiro dia da 9ª Bienal da UNE, neste domingo (1), às 19h, no Circo Voador.
Um dos grandes nomes do samba nacional, Arlindo subirá ao palco para um show que promete emoção com a participação da grande rainha do gênero no país, dona Ivone Lara, a grande homenageada do festival na área de música.
Composições de Arlindo animam rodas de samba por todo o Brasil. Com um catálogo de mais de 700 músicas registradas por inúmeros intérpretes, Arlindo lançou em 2014 “Herança Popular”.
Em seu primeiro trabalho totalmente autoral, buscou valorizar os costumes e a musicalidade popular, tradições e trejeitos que sobrevivem há gerações.
“Nossa mistura são as vozes do Brasil. Ela representa a brasilidade de toda nossa gente. Isso é que me move e que me faz acreditar demais nesse país”, aclama o sambista, que participou da 7ª Bienal da UNE, também no Rio de Janeiro.
Confira a íntegra do papo com Arlindo:
Em ‘Herança Popular’, seu último trabalho, há uma busca visível pela valorização das tradições, mesmo diante do preconceito ainda latente. Por que retornar às raízes?
‘Herança Popular’ é uma reverência aos sambistas brasileiros. Por tudo que eles passaram, todas as dificuldades. O samba ainda é marginalizado, mas o sambista antigamente era preso, era visto com maus olhos. O cara enrolava o pandeiro no jornal para parecer outra coisa. Tiro o chapéu para toda essa luta, por todo sangue. Cartola, dona Ivone Lara. Tem que comer muito arroz e feijão para chegar nesse caminho. Eu agradeço a todos meus parceiros de palavras, rimas, anos de amizade. Vamos seguir os caminhos dos mais antigos, que nos ensinaram muito.
Dona Ivone Lara é a homenageada da mostra de música da Bienal da UNE. Vocês, inclusive, deverão se encontrar no palco. O que a nossa rainha do samba representa para você?
Dona Ivone Lara é o último ícone vivo de uma geração de gigantes. Ela sempre fez parte da minha carreira. Bebi muito da fonte bendita de dona Ivone Lara. Emociono-me muito com seu contracanto, que é sublime, e todo o seu improviso. Ela foi a primeira mulher a fazer um samba-enredo. Olha a importância dessa mulher. Isso aconteceu numa época em que o machismo imperava. Todos os compositores sempre a respeitaram muito. É nossa grande mãe, nossa grande professora e estou feliz demais por dividir o palco com dona Ivone.
O tema dessa bienal é #VozesdoBrasil, uma viagem às diferentes linguagens desse país. O que sua voz representa? Qual é o seu grito?
Eu sou a mistura. Meu DVD passado se chamava “Batuques do Meu Lugar”, e essa talvez seja a principal conclusão para responder sua pergunta. É um registro que cumpriu o papel de misturar todos os ritmos e trejeitos do povo brasileiro, do carimbó ao coco, do bumba-meu-boi ao samba de roda. Essa mistura são as vozes do Brasil. Ela representa a brasilidade de toda nossa gente. Isso é que me move e que me faz acreditar demais nesse país. O Brasil tem jeito e a cultura não vai acabar.
O que os estudantes podem esperar de seu show de abertura da Bienal da UNE?
Vai ter muito samba e muita alegria com os estudantes da UNE. O coro vai comer na Lapa! Vamos cantar e comemorar as idas e vindas da dona Ivone Lara, nossa dádiva.
Da Redação