Após a posse da nova diretoria da UNE, que aconteceu na última quarta-feira, dia 10 de agosto, na Câmara dos Deputados, em Brasília, uma delegação de cerca de 50 estudantes,entre eles o presidente da UNE, Daniel Iliesco, e o Diretor de Movimentos Sociais da UNE, Rodolfo Romcy, se reuniu à embaixada do Chile para um ato de apoio aos estudantes chilenos.
Os estudantes esperavam ser recebidos pelo embaixador do Chile no Brasil, Jorge Montero Figueroa, para entregar uma Carta de Reivindicação, direcionada ao presidente do Chile, Sebastian Piñera, contra a repressão e em solidariedade aos estudantes chilenos. Por cerca de duas horas os estudantes esperaram em frente à entrada da embaixada, mas o Figueroa não apareceu para receber a carta.
Em dado momento, um funcionário da embaixada chegou a empurrar um dos estudantes que se aproximava do portão de entrada do prédio. “Estamos aqui pacificamente para manifestar nosso apoio à luta dos estudantes chilenos e nosso repúdio aos atos de repressão do governo contra as manifestações. Nós não queremos que aconteça mais o que está acontecendo por lá”, explicou Iliescu.
Após uma espera de duas horas sem resultados, os estudantes se reuniram e leram a carta em voz alta. Após isso, como forma de protesto, fizeram dobraduras de avião de papel com as cartas e arremessaram para dentro do prédio. “Queremos chamar a atenção da embaixada da forma mais pacífica. Esse foi nosso bombardeio de ideias”, concluiu Romcy.
Leia a seguir a íntegra da carta:
“A EXMO. SR. Sebastian Piñera
Presidente da República do Chile
Remetemos esta carta ao Presidente da República do Chile e ao conjunto da juventude latino-americana nosso apoio às reivindicações dos estudantes chilenos. Desde o Brasil, compartilhamos a luta pela educação pública, gratuita e de qualidade, a serviço da construção de uma América Latina livre, soberana e integrada. A Reforma Educacional no Chile é mais do que necessária, é uma correção histórica fundamental. O modelo neoliberal para Educação, implementado pelo ditador Augusto Pinochet, não pode ser mantido. Nisso identificamos a legitimidade da luta dos nossos amigos estudantes chilenos, secundaristas e universitários.
Exigimos que o seu governo, através do Ministério do Interior, cesse imediatamente a repressão vergonhosa que se vê no Chile há mais de uma semana. Em todas as oportunidades que os governos de nosso continente optaram pela repressão ao invés do diálogo, abriu-se caminho para regimes de exceção que prenderam e torturaram diversos lutadores sociais, dentre estes muitos estudantes. A história da União Nacional dos Estudantes do Brasil, também duramente reprimida, com o incêndio de nossa sede pela ditadura brasileira, é marcada pela defesa da liberdade e pela solidariedade internacional com todos aqueles que lutam por uma educação de qualidade, por democracia real e por liberdade.
Queremos a imediata liberdade de todos os estudantes presos, nosso repúdio ao ataque policial à sede da Federação de Estudantes da Universidade do Chile, e toda e qualquer violação dos Direitos Humanos aos cidadãos deste irmão e vizinho País. Nosso apoio a todas as legítimas demandas do movimento de educação chileno. União Nacional dos Estudantes”
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