Símbolo da luta nacional contra a situação de descasos do ensino superior privado brasileiro, a batalha dos estudantes da Universidade Fama Filho (UGF), no Rio de Janeiro, segue forte, mas ainda sem respostas. A ocupação da reitoria da instituição – umas das mais longas já vistas em universidades particulares – continua cobrando soluções e posição do grupo mantenedor, o Galileo Educacional.

Os estudantes que participam da mobilização se mantém por meio de doações de alimentos, muitas delas vindas do Sindicato dos Médicos, que tem apoiado irrestritamente a ocupação desde o início. Colchões infláveis e barracas nos corredores completam a nova ‘’moradia’’ dos alunos.

‘’Continuamos aqui e na mesma situação. Não conseguimos diálogo com o Grupo Galileo e o MEC não nos dá respostas concretas’’, lamentou o ocupante e representante do Centro Acadêmico de Medicina, Rafael Collado.

Em 28 de agosto, representantes do DCE da universidade participaram de uma reunião extraordinária com o secretário executivo do Ministério da Educação (MEC), Henrique Paim, e cobraram uma solução imediata. Uma reunião com o ministro Aloizio Mercadante chegou a ser cogitada, mas não aconteceu.

Para o diretor da UNE, Igor Mayworm, a situação é caótica. ‘’Os professores e funcionários continuam sem receber seus salários, as aulas estão paralisadas e não há nenhum tipo de diálogo por parte da mantenedora. O MEC também não se posiciona. Enquanto isso, seguimos lutando para que nossas reivindicações sejam atendidas’’, contou.

Na última quinta-feira (19/9) um oficial de justiça lacrou os elevadores da instituição. O Grupo Galileo deve atualmente mais de 2 milhões de reais a Justiça do Trabalho.

CPI DAS PRIVADAS

No último dia 27 de agosto foi aprovado integralmente, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ), o relatório da CPI das Universidades Privadas. Com a pressão de centenas de estudantes, dentro e fora do plenário, foram retiradas as emendas que visavam excluir do documento os nomes dos grupos educacionais e de seus responsáveis, denunciados por graves irregularidades.

O indiciamento do atual dono do Grupo Galileo, Adenor Gonçalves, também foi incluído.

Para fazer valer o conteúdo do documento, está prevista a criação de uma comissão de deputados e estudantes que entregará ao MEC, Ministério Público e Polícia Federal o relatório da CPI. Os trabalhos da comissão devem iniciar no mês de outubro.

 Entenda a origem do problema

A crise nas universidades privadas cariocas começou após o Grupo Galileo Educacional comprar a Gama Filho e UniverCidade, em meados de 2011. Em dezembro do mesmo ano, o Galileo demitiu cerca de 800 pessoas, entre professores e funcionários, e não pagou seus direitos trabalhistas.

O grupo também impôs um aumento abusivo na mensalidade. Os reajustes variavam entre 18% e 40%, indo bem acima dos 5,9% determinados pela taxa de inflação da época. A UNE e UEE-RJ organizaram os estudantes e realizaram várias passeatas e protestos. A justiça obrigou a mantenedora a respeitar a legislação, que permite aumentos de acordo com a taxa de inflação, mas pouco tempo depois voltou atrás, o que elevou muito a evasão dos estudantes.

Além das demissões, ocorreram vários atrasos no pagamento de salários dos professores, descumprimento de contratos que vão desde a limpeza das universidades à segurança, água e luz. O Galileo ainda instituiu uma nova grade para o curso de medicina e descumpriu compromissos financeiros com a Santa Casa de Misericórdia, que servia como hospital universitário, imprescindível para a formação dos estudantes de medicina.

Da Redação