Começou neste domingo (21/07), na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife, a 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Com o tema “Ciência para o novo Brasil”, a programação do evento, que segue até sexta-feira (26/07), é composta por 266 atividades, com a participação de pesquisadores do Brasil e do exterior e de representantes de instituições integrantes dos sistemas estadual e nacional de ciência, tecnologia e inovação.

No total, serão realizadas durante o encontro 82 conferências, 87 mesas-redondas, 60 minicursos, 16 encontros, nove sessões especiais, além de seis simpósios e seis assembleias. Aproximadamente 500 pesquisadores, de todos os estados do Brasil, participarão do evento.

“Alguns dos principais nomes da ciência brasileira, em diferentes áreas, estarão presentes à reunião anual, que oferece atividades únicas para o público em geral”, disse Helena Bonciani Nader, presidente da SBPC.

“O evento permite juntar todas as áreas do conhecimento, de uma forma transdisciplinar, para discutir questões do ponto de vista das Ciências Humanas e Tecnológicas, por exemplo”, destacou Nader.

Ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento nacional

Embora o Brasil seja responsável por 2,7% da produção científica mundial, o que lhe confere a 13ª posição no ranking, ocupa apenas o 58º lugar em inovação entre 141 países. A comparação foi feita ontem (21) pela presidente da SBPC durante a abertura do evento.

Com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, do reitor da UFPE, Anisio Brasileiro de Freitas Dourado, e representantes do governo do estado de Pernambuco; da Marinha; do Legislativo; do CNPq; da Capes; e da ABC, os participantes destacaram a importância de investimentos em ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento nacional. Além de críticas à educação básica e considerações sobre outros aspectos da política de CT&I, Helena Nader apresentou uma breve prestação de contas da atuação da SBPC no último ano, sobretudo no que se refere às ações da entidade junto ao Congresso Nacional.

De acordo com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, a sociedade brasileira investiu na construção do nosso sistema de ciência e tecnologia. Marco Antonio Raupp destacou a contribuição da SBPC. “Haveremos de reconhecer que a ciência deu contribuições importantes à sociedade, resultado de um sistema muito bem montado, com destacada contribuição da SBPC”, disse o ministro.

A presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Luana Bonone aprovou a escolha do tema deste ano – “Ciência para o novo Brasil”. Segundo ela, diante das manifestações recentes do povo nas ruas, não poderia haver melhor discussão. “Isso demonstra que a sociedade científica está antenada com o que a população deseja. Esse novo Brasil que nós queremos passa por mais incentivos à pesquisa científica e à inovação tecnológica”, declarou.

De acordo com Luana, o grito das ruas é uma verdadeira energia transformadora que apontará o caminho da renovação do país. “Não nos serve a ciência que não promove o desenvolvimento da humanidade. Não nos serve a ciência que não emancipa o povo”, disse. Ela encerrou seu discurso citando Manual Bandeira: “Não quero o lirismo que não seja libertação”.

 A ANPG participa da programação oficial do evento, promovendo o seu 3º Salão Nacional de Divulgação Científica. A edição deste ano terá como tema Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Soberania Nacional. “O objetivo principal do Salão é promover a divulgação científica e a cultura nacional, buscando aproximar a produção de conhecimento da realidade social brasileira”, explicou a presidenta da ANPG. Além da mostra científica, o evento da ANPG oferecerá conferências, oficinas, feira de ciências e apresentações culturais.

 Da Revista Exame e Jornal da Ciência