“Ações Afirmativas constituem medidas especiais e temporárias que, buscando remediar um passado discriminatório, objetivam acelerar o processo com o alcance da igualdade substantiva por parte dos grupos socialmente vulneráveis, como as minorias étnicas e raciais, entre outros grupos.” Flávia Piovesan, Professora PUC SP

As ações afirmativas na universidade são um instrumento na construção de uma sociedade mais igualitária, democrática e plural. Ao longo de toda a história, o conhecimento acadêmico serviu para manutenção das estruturas de poder em nossa sociedade. Vivemos até o inicio desta década tendo nas universidades brasileira 97% dos estudantes brancos e apenas 2% afrodescendentes, o que não representa a realidade da nossa sociedade. Partindo da compreensão de que a obtenção da graduação é também um meio para ascensão social, a universidade é um espaço de poder, e este deve ser democratizado.

 Com a política de cotas a universidade se torna um ambiente mais plural e diversificado, onde a produção acadêmica não só acrescenta para aqueles que a acessam, mas também enriquece culturalmente a produção que volta à sociedade.

Ao falarmos na política de cotas, surge o polêmico debate de cotas raciais. Nós do Movimento Mudança não temos dúvida da necessidade das cotas raciais. Durantes séculos a população negra luta por igualdade e convive com a pobreza, desemprego e falta de acesso à políticas sociais. Foram décadas de invisibilidade, mais de 400 anos de escravidão e 100 anos de          exclusão “na liberdade”.

Hoje vivemos um momento no Brasil no qual o movimento social negro, com muita luta, conquistou diversos avanços na construção da “democracia racial” em nosso país, como as ações afirmativas, o estatuto da igualdade racial, Lei 10639/03, etc. É importante ressaltar o quanto as cotas são meio de transformação social frente à sociedade capitalista e racista que vivemos, bem como um instrumento de ruptura das estruturas do sistema.

Por isso, não temos dúvida da importância de sermos agentes  construtores deste processo. Nós defendemos a manutenção e ampliação do sistema de cotas na UFRGS pois queremos transformar a universidade pública em um espaço de todos.

Priscila Pereira é  Diretora de Combate ao Racismo UEE livre/RS
Laura Sito é Diretora de Direitos Humanos da UNE