O 08 de Março, que é uma data histórica de mobilização e luta do movimento de mulheres no mundo inteiro e de diversos segmentos, é, também, uma data de muita luta para a UNE. É importante destacarmos nesta data que a luta por um mundo mais justo passa por acabar com o machismo, o racismo e a homofobia, pilares desse sistema neoliberal de sociedade.
Nós, mulheres estudantes e feministas, estamos organizadas para nesta data evidenciarmos mais uma vez aquilo que nos oprime dentro e fora das universidades. Acreditamos que a universidade deve ter um papel transformador, logo, ela também tem que estar a serviço de combater as opressões que são vividas por nós, mulheres. Os trotes machistas, racistas e homofóbicos, a inexistência de um recorte da realidade e história das mulheres nos nossos currículos, as violências sexistas que ocorrem nos campi, nossa ausência nas reitorias, direções de centros e departamentos fazem com que não sintamos (mesmo sendo maioria no corpo discente) a universidade como um espaço nosso.
Precisamos radicalizar a luta contra o machismo disputando os valores da sociedade através da construção de um outro modelo de universidade. É nesse sentindo que a UNE tem encampado no último período uma disputa com os setores reacionários e conservadores da sociedade por um PNE que contemple a reestruturação do sistema educacional com base em pilares emancipatórios. Não abrindo mão, por exemplo, da flexão de gênero em toda redação do Plano e da identificação das opressões de raça, gênero e orientação sexual no Art.2 do texto. Defenderemos um projeto de educação para todos e todas em todas as etapas, níveis e modalidades e para isso é preciso identificar as opressões existente no nosso dia-a-dia.
Lutamos pela construção de mecanismos para que as universidades deixem de reproduzir as relações sociais de gênero (que hierarquizam a relação entre homens e mulheres). Ter uma universidade que as mulheres tenham condições de frequentar é pensar em uma assistência estudantil com recorte de gênero – levando em consideração o grande número de mulheres jovens, negras, da classe trabalhadora que conseguiram no último período ingressar no ensino superior. Temos que garantir bens públicos que desonerem a vida das mulheres das tarefas do trabalho reprodutivo, queremos uma política de Assistência Estudantil e Ações Afirmativas por inteiro, e para isso a garantia de creches e restaurantes universitários são o mínimo. Queremos que mais mulheres estejam presentes nas instâncias de direção e que consigamos ter mais políticas para todas as mulheres!
Construir uma universidade verdadeiramente democrática e popular é construir uma universidade para as mulheres, para os negros e negras, para a juventude LGBTT e deve ser uma luta do conjunto do movimento estudantil brasileiro.
Em ano de eleições, a UNE e sua rede de DCEs, CAs e DAs deve apresentar uma plataforma de discussões para os candidatos e candidatas e assim, a centralidade do debate feminista é fundamental. Logo a UNE, também, constrói e disputa os marcos da Reforma do Sistema Político Brasileiro, que é hoje pilar de sustentação do patriarcado nas estruturas do Estado e do Sistema Eleitoral, deve estar na agenda do dia, construir em cada canto desse país o Plebiscito Popular por Uma Constituinte Soberana e Exclusiva.
A legalização do aborto nesse momento se alia à despatriarcalização do Estado, o qual em nossa legislação nos pune junto a um poder político conservador, que traz apenas retrocessos para a garantia da autonomia das mulheres. A clandestinidade da prática do aborto não impede que o mesmo aconteça. É preciso legalizar!
Nesse 8 de março, a UNE constrói atos de luta lilás em todo os territórios e convocamos todas as estudantes do país a irem às ruas conosco e gritar que #SomosTodasFeministas por uma universidade e sociedade igualitária.
União Nacional dos Estudantes, 07 de março de 2014.