A Venezuela já tem novas eleições marcadas. No próximo dia 14 de abril a população comparecerá às urnas para decidir entre o presidente interino Nicolás Maduro e o seu principal concorrente e líder da oposição, Henrique Capriles. Existem também mais outros seis candidatos.
Durante o 61º CONEG da UNE, realizado de 8 a 10 de março na Unip/Vergueiro, o cônsul da Venezuela em São Paulo, Robert Torrealba, falou sobre o “momento de imensa dor” do povo venezuelano. Disse que há 14 anos o povo de seu país mal sabia da existência do Brasil e tampouco o Brasil conhecia sua realidade, apesar de vizinhos. E que hoje somos povos conhecidos que compartilham mais que uma fronteira. “O Brasil tem um grande futuro e um importante papel no mundo. Continuaremos lutando juntos com todos os povos da América Latina”, destacou.
Em entrevista ao site da UNE, ele fala sobre a situação política do país em relação à juventude e os movimentos sociais. Leia abaixo:
Como fica a luta da juventude venezuelana após a morte de Hugo Chávez?
A luta da juventude continua, é praticamente o coração da revolução bolivariana. A juventude é muito presente nas lutas populares da Venezuela e faz parte do futuro da nossa revolução. Não temos dúvidas do papel que a juventude da Venezuela vai desenvolver.
Nesse momento, a Venezuela passa por algum tipo de instabilidade?
De jeito nenhum. As eleições presidenciais já foram convocadas para o dia 14 de abril. Nossa constituição marca e estabelece que na ausência absoluta do presidente seriam marcadas novas eleições. Institucionalmente na Venezuela está tudo tranquilo.
Há alguma possibilidade de retrocesso na atuação dos movimentos sociais no país?
De forma alguma. O comandante presidente Hugo Chávez deixou essa semente de muita força para os movimentos sociais. Já estamos encaminhados, não há o que temer.
Neste ano, pela primeira vez, vários movimentos de juventude estão preparando uma Jornada de Lutas para reivindicar melhorias no Brasil. Qual a sua opinião sobre essa unidade dos movimentos sociais?
Eu acho que é importante. A América Latina precisa da luta da juventude, ela significa garantia de um futuro melhor para nossos povos. Com o papel significativo que o Brasil tem em nosso continente e no mundo hoje, saber que sua juventude está engajada e presente nos deixa mais tranquilos.
Existe algum projeto educacional da Venezuela que você gostaria de deixar como exemplo pro Brasil?
Mais do que exemplo para o Brasil nós temos projetos de universidades populares e importantes convênios de estudos que possibilitam o acesso a todo povo. Tem muitos estudantes brasileiros se formando na Venezuela hoje em dia. Não sei se é um exemplo para o Brasil, mas a gratuidade educacional na Venezuela é um dos ganhos mais importantes da nossa revolução e nossa constituição bolivariana. Com certeza temos muitas coisas interessantes para mostrar e compartilhar com a juventude brasileira.
Cristiane Tada e Renata Bars