Em 8 de março de 1857 operárias americanas entraram em greve para lutar por melhores condições de trabalho. Em 1910, durante uma conferência internacional realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem a estas mulheres, comemorar a data como “Dia Internacional da Mulher”. Hoje, 156 anos depois, muitos avanços foram conquistados, como o acesso à educação e o direito de votar e ser candidata.

No entanto, há quem acredite que não há necessidade de uma data específica para as mulheres.

Para a diretora da UNE, Camila Moreno, pregar o fim do Dia Internacional da Mulher é um grande equívoco. ‘’O 8 de março é a afirmação histórica de luta das mulheres. Já avançamos muito nesse último período, mas ainda há muito que se fazer para acabarmos com a violência, o sexismo e o machismo. Tal data é, portanto, fundamental para reafirmar a necessidade de se lutar por direitos iguais todos os dias’’, explicou.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), as mulheres hoje representam 51,5% da população. São chefes de 24,099 milhões de famílias, das 64,358 milhões que vivem em domicílio particular. Na universidade elas são também maioria. O CENSO do Ensino Superior de 2010, produzido pelo ministério da Educação, mostrou que elas ocupam 57% das matriculas.

 ‘’A universidade cumpre um papel central na transformação da sociedade e ao passo que há uma maior participação das mulheres nesse processo, há necessidade de se avançar na democratização e na produção universitária, fazendo com que o ensino, a pesquisa e a extensão estejam voltadas para uma demanda da superação das desigualdades’’, falou a diretora de mulheres da UNE, Liliane Oliveira.

Apesar dos avanços, a universidade e a comunidade continuam representando a cultura de machismo e exclusão enraizada na construção da nossa sociedade. Assim, para combater esse processo histórico, torna-se vital pensar não apenas na vida da estudante dentro da universidade, mas também fora dela.

”Nas casas legislativas, as mulheres representam apenas 9% do efetivo. Nas universidades verificamos que, num curso de engenharia, por exemplo, há pouquíssimas estudantes. As comemorações do dia 8 de março podem acabar quando acabar o machismo, o preconceito. Porque aí já teremos avançado plenamente. Mas, enquanto ainda há desigualdade, chega a ser descabido pensar nisso”, afirmou a conselheira nacional da União Brasileira de Mulheres (UBM), Mariana Venturini.

Nesse sentido, a integrante da Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Wilma Dias, é categórica. ‘’ Na realidade, o dia das mulheres tem que ser todo dia, mas, o 8 de março é um dia de luta específico que ficou marcado pela história. Mulheres saíram às ruas e nós continuaremos a fazer isso enquanto for preciso’’, contou.

DEMOCRATIZAR A UNIVERSIDADE SIM!

A luta por uma sociedade mais justa com direitos iguais para homens e mulheres passa também por uma universidade que privilegie a democratização.

Para a vice-presidente da UNE, Clarissa Cunha, há espaço para melhorias. ‘’A universidade está inserida numa sociedade que ainda reproduz o machismo e os valores do patriarcado. Por isso, as instituições precisam ser democratizadas, contemplando cada vez mais as pautas das mulheres. O 8 de março surge assim como uma data de luta das jovens universitárias que tanto sofrem com a mercantilização do corpo e da imagem da mulher. É o momento de caminharmos juntas para a construção de uma sociedade na qual as mulheres sejam realmente livres’’, explicou.

Renata Bars