“Quando uma mulher entra na política, muda a mulher. Quando muitas mulheres entram na política, muda a política” Michele Bachelet
No dia 8 de março de 1857 americanas entraram em greve para lutar por condições dignas de trabalho. Atualmente, 155 anos depois, o acontecimento marcou a data para sempre. No dia passou a ser comemorado o “Dia Internacional da Mulher”, quando homens e mulheres do mundo todo celebram as conquistas e avanços na luta pela igualdade entre os sexos e discutem o papel da mulher na sociedade atual e os direitos a serem conquistados.
Nessa cronologiados direitos, há 80 anos, dia 24 de fevereiro de 32, o Brasil conquistou o direito ao voto feminino: a partir dessa data foi instituído que mulheres poderiam votar e ser eleitas para cargos no executivo e legislativo. Desde então, a participação das mulheres na política, seja com a eleição da primeira presidente mulher, DilmaRousseff, em 2010, seja como grandes lideranças do movimento estudantil, desenha uma curva ascendente.
Lúcia Stumpf, a quarta presidente eleita para a entidade (2009), teve sua gestão marcada pela luta por importantes questões como a legalização do aborto, o combate ao machismo e à homofobia, a defesa demais direitos para as estudantes grávidas e com filhos, a promoção de mais mulheres aos espaços de direção do Movimento estudantil. “Não basta ser mulher. É necessário assumir postura de defesa da emancipação feminina. Me orgulho muito de ver como a partir da visibilidade dada às mulheres durante o período em que fui presidente da UNE, cresceu a participação de meninas à frente de CA’s, DCE’s, UEE’s e da própria UNE”, relembrou a presidente.
Outra importante liderança feminina do movimento estudantil é Manuela d´Àvila, atual deputada federal, que atuou como vice-presidente da UNE no Rio Grande do Sul. “Ser mulher e militante foi uma superação. O movimento estudantil foi um espaço muito importante, que me ensinou muito. A intimidação contra as mulheres, no entanto, não diminui a vontade de lutar, ao contrário, me fez ainda mais atuante, buscando a participação de mais mulheres no ME”.
A atual diretoria da entidade é composta por um grande time de mulheres, que, mais do que fazerem política, vivem sua vida na política. “A importância de eleger mulheres para as direções das entidades do Movimento estudantil não deve ser vazia ou formal. Devemos promover mais mulheres para as instâncias de direção por que há muito ainda a ser feito a partir da Universidade para que alcancemos uma sociedade livre do machismo, e nessa caminhada há bandeiras que só ganharão centralidade quando assumidas por mulheres”, finalizou Lucia.
Para homenagear todas as mulheres, o site da UNE coletou relatos de suas meninas, grandes mulheres que batalham dia a dia para aconstrução de um país mais democrático e justo:
Clarissa da Cunha,vice-presidente
“Ser mulher na UNE é ter compromisso com o feminismo e pensar mecanismos que mudem a vida das mulheres. Entendo que essas lutas fazem parte de um projeto político que pensa a transformação da sociedade. Temos que disputar os valores da juventude brasileira, que está inserida em uma sociedade que ainda violenta mulheres, mercantiliza seus corpos e criminaliza o aborto. Entender o protagonismo que a UNE tem na luta por transformações do nosso país é entender a necessidade de colocar a luta das mulheres no centro da agenda da entidade”
Camila Moreno, diretora de assistência estudantil
“Ser mulher na política é um desafio constante. Vivemos em uma sociedade culturalmente machista, o que se reflete em todos os setores de nossas vidas e na política não é diferente. Acredito que é com auto-organização, espaços mistos, debate, disputa consistente e transformação da cultura machista instaurada em nossa sociedade que podemos mudar essa realidade! Está na hora de ir muito além dos 8,8% de mulheres na política! Vamos nessa?”
Virgínia Barros, diretora de comunicação
“Cresce a presença da mulherada no ME. Mas, embora sejamos hoje maioria nas escolas e universidades, ainda não existe uma estrutura que de assistência às nossas necessidade específicas, como creche para a estudante mãe e assistência de saúde específica. É preciso seguir na luta para, a partir do patamar em que chegamos, aprofundar cada vez mais a conquista por nossos direitos. Lugar de mulher é na política e em todos os lugares”
Maria das Neves, diretora de cultura
“A cada ano mais mulheres se tornam dirigentes de CAS, DCE´S, UEE´S e compõem a direção da UNE. Queremos entrar e permanecer na universidade, por isso lutamos pela #CrecheJá, queremos combater a violência contra mulher, por isso lutamos pela efetivação da Lei Maria da Penha, para ocupar o parlamento uma Reforma Política democrática, para a emancipação econômica, igualdade salarial. Será nas ruas, com megafone na mão, ou no gogo, que as mulheres, estudantes, trabalhadoras do campo e da cidade, brasileiras construirão uma nova universidade, a serviço do desenvolvimento nacional e da formação de uma sociedade livre de todas as formas de opressão”
Marília Rodrigues, vice-tesoureira
“Hoje, a cada duas horas uma mulher é assassinada no Brasil; 30% das mulheres brasileiras já sofreram algum tipo de violência, a cada dois minutos cinco mulheres são violentadas no país. Como diria o cantor Zé Geraldo: ‘A estrada é longa e falta muito para chegar’. Hoje, ser mulher no movimento estudantil é ter que afirmar que conquistamos o espaço político para lutar, não apenas por sermos mulher, mais por ter a certeza de que unidas podemos modificar essa realidade.Travar a luta dia a dia significa dizer que juntas vamos fortalecer e conquistar um país mais justo e soberano”
Luiza Lafetá, diretora de relações internacionais
“Desde que comecei a fazer movimento estudantil, no grêmio da minha escola, sempre fui uma das poucas meninas nesse espaço. Por isso, minha batalha sempre foi trazer mais meninas para a política. Além de fazer da política um instrumento para mudar o mundo, é também um exercício de mudar a política. É por meio da política que podemos trilhar os caminhos do poder das mulheres. Sinto que nesses últimos períodos as mulheres estão participando mais, se empoderando e sendo empoderadas. Um bom exemplo é a UNE, que tem na sua diretoria muitas meninas em espaços importantes de decisão. Além da pauta feminista que está, e sempre esteve, presente na historia da UNE”
Liliane Oliveira, diretora de mulheres
“Sou mulher, negra, militante feminista e de esquerda. Estar diretora de mulheres da UNE traz muitos desafios. Consolidar a pauta feminista na entidade é colocar as mulheres no centro da política que construímos. Nós, mulheres organizadas neste importante movimento de juventude, não nos furtamos do enfrentamento e combatemos cotidianamente o machismo e o sexismo ao construir políticas que viabilizem a organização das mulheres em torno de pautas que visam a superação de tantas desigualdades”
Michelle Bressan, secretária geral
“A esperança das brasileiras é viver em um país que garanta seu direito ao desenvolvimento soberano e que defenda seu povo. As jovens mulheres brasileiras não aceitam mais pagar altos juros, enquanto creches não são construídas nas universidades. A creche significa parte da emancipação da mulher, para que ela possa trabalhar e participar da sociedade com igualdade de direitos e condições. A creche significa a permanência das jovens na universidade. O Respeito à Maternidade passa pela tolerância zero!”
Carina Vitral, diretora de universidades públicas
“Como estudante de economia compreendo que a luta pela emancipação da mulher passa pela sua emancipação financeira. Nós mulheres somos mais de 50% da população economicamente ativa e ainda ganham menos que os homens ocupando os memos postos de trabalho. A política de econômica do governo e os últimos cortes ao orçamento, prejudicam o povo e sobretudo as mulheres. Igualdade salário, mais investimento em educação e a redução da taxa de juros são fundamentais para dar à mulher brasileira melhores condições de vida para desenvolver o Brasil. #menosjurosCreheJá”
Marcela Rodrigues, diretora de projetos
“Hoje festejamos avanços, mas eu, como brava nortista, me preocupo o Brasil, que continua alijando milhares de mulheres da sua juventude. A educação emancipa e a falta dela marginaliza. A falta de acesso à educação na Amazônia faz com que meninas passem diretamente para a vida adulta, cheia de responsabilidades exclusivamente domésticas. Me preocupa o corte de 5 bilhões em educação nos últimos dois anos porque são essas mulheres que são analfabetas, sem acesso à creche, que deixam de estudar por falta de oportunidade e que não constroem perspectiva de vida. Mas as nortistas são guerreiras por essência, desde as Amazonas, conhecidas por sua ousadia. Ousadia que me fez chegar até aqui, na UNE, e em uma tarefa que exige enfrentar a concepção de que o poder econômico pode comprar tudo, até a dignidade das nossas mulheres. Daqui não “arredo o pé”, só se for pra andar pra frente”
Camila Hungria