Para dar corpo à campanha da UNE “Quem entrou quer ficar” , em defesa de mais políticas de assistência estudantil nas universidades brasileiras, o 63º Coneg colocou o tema na pauta dos debates da tarde deste sábado (21/3) em São Paulo.

Estavam presentes na mesa a professora doutora e coordenadora nacional do Fórum Nacional de Pró- Reitores (Fonaprace), Miriam Serra; a representante do DCE da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiza Foltran e o deputado federal pelo PCdoB-SP, Orlando Silva.

A crescente expansão do acesso à universidade foi apontada pelos convidados como um grande avanço na educação do país. Por isso, é cada vez maior a necessidade de mais investimentos em políticas de assistência para atender a uma demanda de estudantes cada vez maior.

” A assistência estudantil deve ser defendida como um direito do estudante em todas as esferas da educação. Garantir a permanência é uma maneira de promover a equidade nas universidades. Por isso a necessidade de transformá-la em um política de Estado, que não mude com a entrada desse ou daquele governante”, falou a professora Miriam Serra.

PARA ASSISTÊNCIA VIRAR LEI

Complementando a fala de Miriam, o deputado Orlando Silva anunciou que defenderá na Câmara a institucionalização da política de assistência estudantil. Orlando destacou a importância de polóticas dessa magnitude para garantir o sucesso do estudante na universidade. ”A política de assistência estudantil deve ser permanente independente de governos. Vamos lutar para que essa proposta seja não apenas minha mas de toda a Comissão de Educação”, afirmou.

RESPEITAR AS DIFERENÇAS

Outro aspecto amplamente debatido foi a necessidade da construção de políticas de assistência estudantis que contemplem as diferenças e peculiaridades de cada região e universidade.

”Temos que levar em conta que o estudante do interior possui demandas diferentes do estudante da capital. O estudante da universidade privada é diferente do estudante da universidade pública. Levar isso em conta é fundamental para entender e aprimorar os investimentos em assistência estudantil”, destacou Miriam.

2,5 BILHÕES PARA A ASSISTÊNCIA ESTUDANTIL

Atualmente, a verba que o governo destina para o Plano Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) é de 750 milhões.

Para a representante do DCE da UFRJ, Luiza Foltran, o valor é fruto das conquistas do movimento estudantil, mas ainda é pouco para alcançar uma política de permanência eficaz. ” Os recursos ainda são escassos, transformando uma política que pretende ser ampla em uma política limitada. Queremos assistência estudantil universal com bolsas, moradias, bandejões e creches. Para isso, temos que pelo menos, dobrar esse valor que hoje é oferecido pelo governo”, enfatizou.

A UNE e o Fonaprace defendem a destinação de 2,5 bilhões de reais para a área. ”Precisamos de linhas específicas de investimento para mudar a realidade atual e avançar nas conquistas”, avaliou a coordenadora do Fonaprace.

QUEM ENTROU QUER FICAR

A campanha encampada pela União Nacional dos Estudantes defende uma universidade democrática para todos e todas. A criação de políticas de assistência estudantil com mais investimentos, bandejões e moradias de qualidade, mais bolsas-permanência e creches universitárias são primordiais para construir a universidade que os estudantes querem.


RENATA BARS