Um dos debates mais importantes do 63º Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg) neste sábado (21) teve como tema o combate à corrupção, a defesa da Petrobras, e a reforma política. A mesa foi composta pelo ex-diretor da UNE, Thiago Aguiar; pela diretora de Mulheres da entidade e representante da Marcha Mundial das Mulheres, Lays Gonçalves; e pelo ex-presidente da UNE e vereador de Campinas, Gustavo Petta (PCdoB-SP).
A conversa pautou-se, em grande parte, pelo atual cenário da conjuntura política no país e pelas recentes manifestações de rua. “A direita vai às ruas e faz uma marcha reacionária, como aconteceu, porque o movimento de junho de 2013 teve cobranças que continuam sem respostas”, avaliou Thiago Aguiar.
Ele também criticou o atual modelo de desenvolvimento do Brasil que, na sua opinião, favoreceu os banqueiros enquanto a renda do trabalhador não teve melhora substancial, destacou o aumento de juros, a ameaça de corte de direitos trabalhistas e o contingenciamento de 7 bilhões na educação.
O ex-diretor da UNE disse que diante deste cenário é importante defender a Petrobras contra a privatização e “contra o clube de empreiteiras que aparelharam a estatal”. “Precisamos também da reforma política para derrotar um regime da nova república que está falido”, disse.
MAIS MULHERES NO PODER
A diretora de Mulheres da UNE, Lays Gonçalves, atentou para a necessidade de construir uma reforma política com paridade de gênero, lista fechada e alternância entre mulheres e homens. “Dentro dessa diversidade de proposições precisamos de uma reforma que aprofunde uma perspectiva feminista”, ressaltou. Segundo ela, o combate ao financiamento de empresas a campanhas políticas também é importante para consolidar um cenário político menos sexista.
“Existem muitas mulheres ‘laranja’ que estão na política só para cumprir cotas ou mulheres cujas famílias participam tradicionalmente da política, mas sem comprometimento com as ideias feministas. Com o financiamento privado de campanha não vamos conseguir mudar esse cenário”, ressaltou.
“A partir do movimento de solidariedade vamos conseguir encontrar muita igualdade entre as divergências. Fica posto este desafio para homens e mulheres para tensionar os governos em todas as esferas para construirmos juntos uma reforma política”, finalizou.
UNIDADE PARA AVANÇAR
O vereador Gustavo Petta afirmou que há atualmente, no Brasil, a tentativa de desestabilizar do governo e das pautas progressistas no país. De acordo com ele, assim como em outros momentos do Brasil, como na oposição aos governos Getúlio Vargas e João Goulart, há uma coligação entre a grande mídia, forças econômicas e conservadoras. “É preciso observar a história para analisar o discurso da ética vindo dos setores conservadores. Não podemos servir de massa de manobra para as forças reacionárias”, afirmou.
Para o Petta, a tendência é de uma polarização maior. “Precisamos exigir uma postura mais firme da presidenta no sentido de enfrentar esses setores. A crise na economia não pode ser paga pelos trabalhadores. Precisamos de um projeto para taxar as grandes fortunas, são eles que tem que pagar. É preciso ter coragem para fazer isso e dar mais nitidez à população de que esse governo está defendendo os trabalhadores”, afirmou.
De acordo com Petta, pedir o fim da impunidade é um discurso que cabe na boca de qualquer um. “É preciso, na verdade, saber como debater uma reforma política que acabe com o financiamento privado de campanha. Precisamos tentar unir a esquerda brasileira em torno de uma mesma pauta e dialogar”, finalizou.
CRISTIANE TADA