Defensor da desmilitarização da polícia, o tenente-coronel da Policia Militar Adilson Paes de Souza será um dos debatedores do tema às 14h neste sábado (31) no 62° Conselho Nacional de Entidades Gerais da UNE (Coneg,) que vai de 30 de maio a 1° de junho.

Coronel Adilson teve seus primeiros contatos com os “Direitos Humanos” há mais de uma década, durante o curso de oficiais da Academia Barro Branco. É autor do livro “O Guardião da Cidade” (originado de sua tese de mestrado na USP em 2012), que trata sobre os motivos que levam a Polícia a alimentar uma cultura altamente repressiva e abusiva perante a sociedade.

Apoiador da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 51, que visa justamente desmilitarizar a PM, Adilson dá uma prévia da discussão: “o debate abordará dispositivos e estruturas [militares] gestadas na ditadura e que se mantém na nossa vida atual mesmo após o processo de democratização do País”. Ele destaca também a necessidade da participação da juventude na discussão. “É importante à participação do jovem, não só nas manifestações, mas sim de um empoderamento de uma real situação. [Temos que] propor uma discussão jurídica, em cima de instrumentos legais vigentes em nosso país hoje, que foram criados na época da ditadura”, ressaltou.

A mesa do 62º Coneg que o tenente-coronel participa com outros convidados é a “Por uma nova política de segurança pública para o Brasil”. A UNE aproveitará o debate para formular um projeto de lei que resolva a questão da segurança no campus, sem a presença da PM.

De acordo com a presidenta da UNE, Virgínia Barros, há anos a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade de São Paulo (USP) mantém um convênio com a PM e mesmo assim os problemas com segurança continuaram. “Nossa proposta é a reestruturação da profissão do guarda universitário como carreira de estado, criar mais espaços para debater a questão da segurança dentro da universidade que envolva a comunidade acadêmica e todas as esferas do poder público”, destacou.

A violência policial não é assunto recente. Os 111 presos assassinados em 1992 durante o Massacre do Carandiru, os mais de 600 mortos em maio de 2006 em uma série de ataques na Baixada Santista e o desaparecimento do pedreiro carioca Amarildo de Souza no ano passado, somados aos inúmeros flagrantes de abusos durante as manifestações de junho/2013, trouxeram à tona a discussão sobre o comportamento da PM brasileira. De um lado representantes dos direitos humanos propõem a desmilitarização ou mesmo o fim da polícia militar como uma das alternativas para acabar de vez com essa indústria da morte. Do outro lado cidadãos encorajados por Sheherazades e Bolsonaros pedem ainda maior rigor dos policiais no tratamento com suspeitos e bandidos.

Serviço

O que? Debate sobre a desmilitarização da PM – “Por uma nova política de segurança pública para o Brasil”

Onde? Escola Politécnica – Poli da Universidade de São Paulo-USP

Quando? 31/05 às 14h – 62º Conselho Nacional de Entidades Gerais-Coneg da UNE

Como? Inscritos como delegados devem baixar e preencher a ata de eleição e regimento. Para “observadores” o cadastramento será no local.

 Yuri Pires e Cristiane Tada