Esta sexta-feira (30) primeiro dia do 62º Coneg da UNE terminou com a mesa Diálogo por um projeto democrático, popular e nacional de desenvolvimento. Com o auditório lotado, vários convidados discutiram o panorama político do Brasil atual e quais os caminhos para aprofundar as conquistas sociais que o nosso país tem alcançado.

Para o representante da Consulta Popular, Ricardo Gebrim, as mudanças estruturais que necessitamos no país somente serão possíveis se pudermos atrair a juventude trabalhadora que vem emergindo na luta nesse último período. “Essa juventude está visivelmente insatisfeita. A nossa missão é construir um catalisador, por isso a Constituinte é algo tão decisivo nesse momento.

Qualquer mudança estrutural nesse país vai achar entraves no Congresso Nacional. Se nós conseguirmos construir essa palavra de ordem como bandeira política nós vamos avançar. E Plebiscito só vai ser possível, se convencermos as pessoas a trabalharmos com ela”, afirmou.

A UNE e entidades do movimento social estão em campanha de mobilização em prol de um plebiscito que vai questionar a população se ela é a favor ou contra uma Constituinte Exclusiva.

A Constituinte é a realização de uma assembleia de representantes eleitos pelo povo para modificar a economia e a política do país e definir as regras e o funcionamento das instituições de um Estado, como o governo, o Congresso e o Judiciário.

Já o professor Igor Fuser fez um resumo sobre as mudanças sociais e econômicas no Brasil desde a posse do ex-presidente Lula. Para ele propostas progressistas como a proposta por uma reforma da Constituinte, a democratização da mídia, só serão possíveis de serem realizadas com uma continuidade do governo Dilma.

O representante do Partido Comunista Revolucionário (PCR), Wanderson Pinheiro, fez uma fala alarmista. Para ele estamos vivendo um momento de agravamento, de força da extrema direita e agravamento das contradições. “A cada dia e hora, vemos o acirramento da luta de classes na Venezuela, situações como da Ucrânia. Não podemos simplesmente nos posicionar pela discurso do medo. E possível os explorados construírem a sua alternativa. Não podemos abrir mão do nosso sonho de construir uma nova sociedade”, destacou.

Para ele independente dos setores, a melhor forma de defender o não retrocesso é avançar para construir tudo que temos direito como uma educação pública de qualidade. E exemplificou: “para defender a Petrobrás, temos que ir pra cima e dizer que queremos a retomada de 100% dos nossos recursos naturais. Como fez o bom exemplo da Vezenuela”.

Na mesa e durante as intervenções dos estudantes a discussão esquentou entre opositores da presidenta da República e defensores.

O representante do diretório estadual São Paulo do PSOL, Maurício Costa, também concordou que o momento é decisivo politicamente. De acordo com ele a construção de um projeto de país que esteja a altura dos nossos sonhos hoje está mais concreto porque vivemos um novo momento político. Costa afirmou que o número de greve e manifestações, as jornadas de junho abriram as portas da história para que a população indignada fizesse mais ações e ocupasse as ruas. Ele também criticou a realização da Copa do Mundo no Brasil.

A representante da Federação Democrática Internacional de Mulheres, Márcia Campos, também engrossou as críticas ao governo Dilma. “Temos um modelo econômico que a cada dia que passa não responde as necessidades da população. A Dilma precisa olhar na direção do povo, o que é que o povo quer”, afirmou.

Ela também cobrou mais em relação a pauta da mulheres no governo atual. De acordo com Márcia as brasileiras são 9% apenas no parlamento. Num ranking de 181 países ocupamos o 156º lugar em representatividade feminina na política. “Precisamos de equipamentos sociais, creches, lavanderias, jardim de infância senão não temos como ir trabalhar”, ressaltou.

Já o ex-presidente da UNE e representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Aldo Arantes, declarou que podemos ter divergências mas não podemos deixar de reconhecer que os governos lula e Dilma representaram avanços muito significativos. “O Brasil é muito mais respeitado. Tentam desconstruir a situação do nosso país, tentam criar desesperança. O imperialismo tenta desestabilizar todos os governos progressistas da América Latina. É claro que tem uma insatisfação na sociedade. O governo precisa avançar mais, aprofundar as conquistas.

Dilma precisa ser mais ofensiva na democratização da mídia, na reforma agrária. Mas não é só questão de vontade, é questão de estrutura de poder, o Congresso Nacional não aprova essas reformas e não aprova uma série de medidas o que trata dos interesses do povo. O poder da grana transforma a maioria em minoria no Congresso”, ressaltou.

Para mudança desse panorama ele defendeu uma reforma política democrática que abra representação para mulheres, negros, juventude e trabalhadores.

Cristiane Tada e Renata Bars

Foto: Amaro Fotografia