Cerca de 800 estudantes do curso de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, universidade particular da cidade de São Paulo, ocuparam, na manhã de ontem (21), uma das faixas da Avenida da Consolação, importante via de acesso da região central e próxima à universidade, durante uma manifestação que foi violentamente reprimida pela polícia militar.

A União Nacional dos Estudantes (UNE) repudia qualquer forma de violência policial contra estudantes. Para o presidente da entidade, Daniel Iliescu, esse tipo de acontecimento compromete a liberdade histórica garantida aos estudantes para se organizarem e defenderem seus princípios. “Essas respostas violentas inquietam o movimento estudantil e a sociedade que tanto lutou pela democracia no país”, avaliou.

Os estudantes do Mackenzie têm se organizado para protestar contra uma recente decisão da universidade de implantar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) como vestibular. “O Enem não tem condições de ser utilizado por qualquer universidade de renome por causa do seu histórico negativo no país”, afirmou o estudante Rodrigo Nahas, um dos coordenadores do movimento.

A UNE não nega os erros do ENEM, inclusive tendo sido uma das primeiras entidades a se manifestarem em defesa dos direitos dos estudantes em decorrência de falhas no exame. A UNE acredita no entanto que o ENEM democratiza o acesso e deve ser aperfeiçoado como processo seletivo para as universidades do país. “É preciso aperfeiçoar o exame para que alcancemos a sua excelência e não podemos entrar em um descrédito geral sobre o mecanismo do Enem em razão de algumas falhas e problemas que ocorreram nos últimos exames. A nossa posição de defesa da concepção do Enem não quer dizer que não vamos questionar os seus problemas e temos feito isso com muita dureza, cobrando explicações do MEC [Ministério da Educação] e ressaltando que o estudante não pode ser prejudicado”, explicou Daniel.

O Mackenzie afirmou que “se orienta pelo princípio da universalidade para definir os critérios que considera mais adequados para seu Processo Seletivo, orientando-se especialmente pelas diretrizes governamentais que apontam para esta questão”. Segundo a instituição, “o ENEM pode ser considerado o mais democrático e inclusivo dos processos seletivos no país. Neste sentido, o Mackenzie segue o exemplo de outras instituições educacionais de primeira linha no Brasil, tanto públicas quanto privadas, que já incluíram esta iniciativa em sua seleção”.

Apesar da posição das entidades estudantis em relação ao ENEM e dos estudantes de Direito do Mackenzie divergirem, a União Nacional dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) reconhece como legítima a manifestação dos estudantes da instituição. “Independente da pauta política é uma manifestação legítima que as entidades estudantis devem apoiar por que mantém a pluralidade e democracia do movimento”, afirmou o presidente da UEE-SP, Alexandre Silva.

 Camila Hungria, com Agências