Enfrentar os oligopólios de comunicação, avançar na integração e aprofundar o debate acerca das mídias alternativas foram os eixos que orientaram mais um debate promovido pelo 62º Conselho Nacional de Entidades Gerais da UNE, na última sexta-feira(30/5). “A luta em defesa pela liberdade de expressão e pela democratização da mídia” foi o tema da mesa realizada no Instituto de Oceonografia da Universidade de São Paulo (USP).

Entre os convidados estavam o doutor em Ciência da Comunicação e editor da revista Adusp, Pedro Pomar; a representante do Centro de Estudos da Mídia Alternativa – Barão de Itararé, Renata Mielli; o editor do blog O Cafezinho, Miguel do Rosário, e o representante do coletivo Fora do Eixo, Rafael Vilela.

A centralização exercida pelos grandes meios de comunicação foi apontada como um dos grandes entraves para a democratização da mídia no país.

Para Pedro Pomar, atualmente, a mídia brasileira não abrange um importante conjunto de vozes, fatos e versões. ”Vivemos num país midiacentrado, isto é, o oligopólio de grandes redes de tv e rádio são os responsáveis por pautar a sociedade como um todo. Esta concentração não é saudável pois tais empresas acabam funcionando como partidos que detém enorme protagonismo na política e também na produção cultural”, explicou.

”Hoje, a fortuna da família Marinho, donos da Rede Globo, é de 29 bilhões de dólares. É um poder econômico assustador. Com esse dinheiro é possível pagar quatro campanhas presidenciais”, falou Miguel do Rosário.

A democratização dos meios de comunicação foi considerada pelos debatedores como uma porta de entrada para outras reformas necessárias para a democratização do Brasil.

”Democratizar a mídia é democratizar a política. São coisas que se coadunam. Por isso precisamos cada vez mais pressionar o governo para que haja sim uma regulação que garanta a diversidade, para que mais atores possam se expressar”, reiterou Pomar.

INTERNET COMO ESPAÇO DE LUTA

Neste contexto em que a informação está concentrada nas mãos de poucos, a internet vem se tornando cada vez mais uma importante ferramenta para furar o bloqueio midiático dos grandes meios de comunicação.

”A internet permite uma pluralidade até então nunca imaginada. Por isso, precisamos utilizá-la não só reproduzindo conteúdo da velha mídia mas criando nossos próprios conteúdos. Esta é uma forma eficaz de lutarmos pelo nosso espaço na comunicação do país”, enfatizou Renata Mielli.

Para Rafael Vilela, a internet abre novas perspectivas que vão além da democratização das mídias tradicionais. ”O midiaativismo é uma nova forma de comunicação que vem se estruturando há alguns anos mas que recentemente quebrou a barreira da difusão e passou a dialogar com um número muito maior de pessoas. Hoje, com a internet, diversos coletivos como o Mídia Ninja, tem a possibilidade de invadir esse espaço tão restrito e pautar a opinião pública, tirando da zona de conforto esses veículos que estão nesta estrutura de poder completamente engessada”, disse.

Renata Bars
Foto: Amaro Fotografia