A passagem da Caravana UNE Brasil+10 terminou com o 1 encontro de prounistas, na noite de hoje (29), na UCB. Durante o encontro, uma importante pauta relacionada ao programa ProUni foi amplamente discutida: programas de assistência estudantil nas universidades. À mesa do debate, o presidente da UNE, Daniel Iliescu, a diretora da UNE no DF, Patrici Matos, o presidente da CONAP Valmor Bolan, o pró-reitor da universidade, Ricardo Espindola, e Thalita alves, estudante prounista da UCB.
“Queremos mais investimentos em educação. Dentro dessa luta, valorizamos os programas de adesão à universidade. O ProUni é um deles. Reconhecemos a importância desse programa , mas não nos furtamos ao papel de fazer críticas construtivas. Precisamos ampliar as bolsas auxilio, por exemplo. Vamos discutir a qualidade do ensino nas privadas”, começou o presidente da UNE, Daniel Iliescu, recém chegado de Minas Gerais, onde, na manhã de hoje, aconteceu uma grande manifestação do Março Verde e Amarelo
A Universidade Católica de Brasília aderiu ao ProUni no ano de sua criação, 2005, até hoje, 2945 estudantes já foram beneficiados pelo programa e 912 já se formaram. Um dado importante: a média universal das notas dos estudantes prounistas na UCD é 8.3, contra 7.4, que é a média de notas dos estudantes não prounistas. “Isso significa que a tese de que inclusão derruba qualidade é falsa”, começou o pro-reitor da universidade, o professor Ricardo Espindoloa.
Porém, apesar do bom desempenho dos estudantes beneficiados pelo programa, a permanência na universidade ainda é uma questão diária enfrentada por eles, que contribui em muito para os altos índices de evasão desses estudantes da universidade. “Manter a universidade é muito difícil. Os estudantes precisam comer, calçar, dormir, tirar Xerox e chegar à universidade. Aqui, estudante prounista não pode receber bolsa de pesquisa. Exclusão não é só não aderir ao programa na universidade. Exclusão é não garantir que o aluno tenha condições de permanecer na universidade”, disse Thalita;
O professor Valmor, colocou como principal função da CONAP fazer um controle social do ProUni e sugerir aperfeiçoamentos ao programa. “Há muitas coisas a melhorar. Muito da evasão deve-se a falta da bolsa permanência. Também coloco em questão se é conveniente continuar com meias-bolsas, ou se não é proporcionalmente melhor manter apenas bolsas integrais, por exemplo”, explicou.
Para Patrícia Mota, o prouni democratizou a universidade, e é papel estratégico dos estudantes prounistas modificar o contexto das universidades. “Acho que é tarefa dos pronunistas, também, se organizarem para lutar por suas pautas e defender com a maior legitimidade do mundo os seus direitos”.
Assim como o DCE da UCB, a UNE tem como uma de suas principais pautas a luta pela assistência estudantil nas universidades. Além disso, também defende a renovação automática do programa e a possibilidade de um prounista ser beneficiário de outras bolsas da universidade, como bolsas de pesquisa de extensão.
“Hoje, apenas 14% da juventude tem acesso à universidade, mas nossa juventude agarra as oportunidades. Esses programas estão começando a saldar a dívida com a educação de seu povo. Essas transformações que o Brasil têm vivido são fruto do protagonismo da nossa juventude, que rala, estuda e luta. O debate que iniciamos aqui vai correr dezenas de universidades do Brasil e apontam com clareza as medidas pelas quais precisamos lutar”, finalizou Iliescu.
Camila Hungria, de Brasília / Foto Fabio Bardella