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“Por uma sociedade livre de LGBTfobia e abaixo a ditadura da Toga!”

Diretor LGBT da UNE, Nilson Florentino Júnior, critica declaração do juiz do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha, e defende que é preciso cada vez mais reafirmar na sociedade brasileira a necessidade de políticas públicas voltadas para população LGBT

Tem se observado nos últimos tempos a complexidade da atual conjuntura e como as pautas de anos de luta da população LGBT estão sendo desconstruídas. Temos visto proposições legislativas para criar o “Dia do Orgulho Hétero”, a “Semana da Cultura Hétero”, a “Ideologia de Gênero”, ataques à Judith Butler e o mais recente foi a afirmação do juiz do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha.

Com isso, é preciso que cada vez mais reafirmemos na sociedade brasileira que as políticas públicas voltadas para população LGBT são uma conquista de muitos anos de luta, pois as pessoas de identidades de gênero e sexualidades dissidentes do padrão social são atacadas e deslegitimadas cotidianamente. Muitas pessoas deram suas vidas, para que hoje, possamos minimamente por a cara no sol e lutar por dignidade e respeito.

É fato que tivemos um período de avanços, mas o atual estado de exceção em que vivemos, tem sido repleto de retrocessos.  Embora o movimento LGBT continue apresentando para a sociedade brasileira suas diversas pautas, dentre elas, o casamento igualitário, a adoção por casais homoafetivos, direitos previdenciário para as LGBT, criminalização da LGBTFOBIA,  defensa de uma educação que paute a diversidade e também uma saúde pública que nos acolha e não nos oprima. Todas essas pautas tem poro objetivo a reparação social, garantia de direitos e dignidade, e não de privilégios.

Quando analisamos dados estatísticos, infelizmente nos deparamos com dados alarmantes. De acordo com o Grupo Gay da Bahia, no ano de 2017, já foi registrado mais de 400 mortes por LGBTFOBIA. São dados que nos mostram o quanto a população LGBT tem sido assassinada com altos índices de violência e opressão.

Essa cultura LGBTfobica tem sido influenciada em sua maioria por grupos religiosos fundamentalistas e parlamentares conservadoras, que tem como estratégia disseminar o discurso na sociedade afirmando que estamos destruindo a família e os costumes da sociedade brasileira. Entretanto, quando um ministro do STJ afirma que “heterossexual está virando minoria e perderam direitos” aponta para via contrária do processo de construção do debate que o movimento LGBT propõe para a sociedade, do qual se discute sobre os privilégios vivenciados pelas pessoas heterossexuais, que não precisam esconder suas identidades e sexualidades para não serem estigmatizadas na sociedade.

Nossas identidades e sexualidades são deslegitimadas dia após dia, nossos corpos são vigiados e julgados pela sociedade. Enquanto nossas pautas são ignoradas, várias pessoas LGBTs são violentadas pelo avançado e as práticas do discurso de ódio e a violação dos direitos humanos.

Entretanto não serão juízes, parlamentares e líderes reacionários que irão nos fazer temer. Nós somos muitos, nós somos fortes e resistiremos. Resistiremos aos ataques, aos retrocessos e toda forma de violação de direitos. Vamos disputar o debate na sociedade brasileira, que é vítima de uma grande manipulação. Não avançamos para permitir que queiram nos calar e permitir que nossas pautas sejam desconstruídas. Devemos enfrentar esse debate e apresentar qual modelo de sociedade nós defendemos e que queremos. Nesse sentido, lutemos por uma sociedade livre de violação de direitos e sem LGBTfobia.

*Nilson Florentino Júnior é diretor LGBT da UNE e estudante da Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA).
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