Terceira vez no fórum da entidade, presidente acolheu carta de reivindicações estudantis e prometeu mais universidades e escolas técnicas 

O ginásio Nilson Nelson lotado de estudantes, recebeu o presidente Lula neste começo de noite de quinta-feira (13/7).

Foto: @imatheusalves

As entidades estudantis reunidas UNE, UBES e ANPG leram uma carta de reivindicações para uma mesa de autoridades, que incluíam os ministros Paulo Pimenta (Secom), Camilo Santana (Educação), Anielle Franco (Igualdade Racial), Margareth Menezes (Cultura) Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Ana Moser (Esportes).

O texto propunha transformar o PNAES em lei; a criação da Universidade de integração da Amazônia e a revogação do ensino médio entra outras demandas.

Presidente Lula / Foto: @yuri_salvador

Lula chamou a carta de reivindicações de “longa, árdua e apimentada” e ressaltou “somente um governo eleito por vocês é capaz de cumprir essa pauta ”.

O presidente afirmou que dinheiro aplicado em educação é investimento. Fez promessas de voltar a fazer mais universidades, escolas técnicas e laboratórios. E reafirmou: “Fiquem certos que voltei para a gente fazer mais e melhor. Para que vocês voltem a sorrir, a sonhar, a ter esperança, emprego, oportunidade, orgulho de ser brasileiro de verdade. Vamos dizer que este será o país do tamanho que a gente quiser”. 

Mesa diretora da UNE / Foto: Foto: @yuri_salvador

Universidade de turbante e cocar

Foto: @yuri_salvador

Na abertura do ato o grupo de dança Casa de Onija fez uma apresentação com uma faixa que dizia: universidade de turbante e cocar.  A presidenta da UNE, Bruna Brelaz lembrou de que antigamente a UNE cantava oooô o filho do pedreiro vai poder virar doutor. “Agora, nós, as filhas das empregadas domésticas, das comerciantes, as filhas do Amazonas, do norte, do nordeste, das periferias, já somos uma multidão de doutoras, de cientistas, de engenheiras, de pesquisadoras que estão trabalhando a favor do Brasil e do nosso futuro”.

E pediu ao plenário que levantassem a mão todos os filhos e filhas do Prouni, do Reuni e das Cotas, que são as primeiras pessoas da sua família a entrar na universidade.

Com um mar de mãos para o alto, ela afirmou que o sucesso das políticas de expansão universitária, veio da luta conjunta da UNE, nas ruas, em diálogo com os governos do PT.

Foto: @yuri_salvador

Bruna se emocionou e emocionou o presidente ao contar sua própria história. “Eu cresci entendendo que o estado não existia. Que ninguém iria olhar para mim e me garantir nada nesse Brasil”. E sentenciou: “foi a Lei das Cotas que me garantiu entrar na universidade, conhecer a UNE e hoje estar aqui, representando mais de 8 milhões de estudantes, presidenta da maior organização de juventude da América Latina e condutora do meu futuro”.

Essa é a terceira vez do presidente da UNE, em um Congresso da entidade. E ele afirmou que nos próximos, estará de volta. Lula reconheceu a defesa dos estudantes por todo o legado na educação de seus governos anteriores. 

América Latina Unida

Os estudantes também ovacionaram o convidado especial, ex-presidente do Uruguai, Pepe Mujica. Em sua fala ele elogiou o presidente brasileiro. ” Lula é grandioso, mas não é um mago. Governos populares não apenas pedem. Se ajudam. Os obstáculos adiante estão aí. Não são fáceis. Precisam de comprometimento. Precisam saber que haverá luta. E a única luta que se perde é a que se abandona”.  E pediu para a juventude cuidar da democracia “que não é perfeita, mas até hoje não encontramos nada melhor”.

O uruguaio também defendeu a união da América Latina e alertou que “quanto mais desunidos, mais dominados vamos estar”. Pepe questionou a nominação América Latina. “Porque não somos só descendente de latinos, somos descendente de negros, indígenas, asiáticos e de todos os pobres e perseguidos que viveram na América. Somos uma coisa distinta, eu proponho que temos um novo relato do que somos”.

Ex-presidente Do Uruguai, Pepe Mujica e Presidente Lula / Foto: @murilofdeabreu

Revoga Ensino Médio

A grande pauta da noite foi o malsucedido Novo Ensino Médio, aprovado no governo Temer (Lei Federal 13.415/2017) e que vem sendo implantado gradualmente pelos estados desde 2022. Depois de muitas críticas, o modelo foi suspenso este ano pelo Ministro da Educação, Camilo Santana. Parte da plateia do estádio fez muito barulho para o líder da pasta exigindo a revogação da lei que tem gerado mais desigualdade entre os estudantes e a precarização do ensino por trás de um viés tecnicista.

Ministro da Educação, Camilo Santana / Foto: @yuri_salvador

“Eu suspendi a implantação do novo ensino médio no Brasil. E nós abrimos uma ampla escuta para ouvir estudantes. Foram 150 mil estudantes que participaram. Nós vamos sentar porque é um compromisso novo de termos o melhor ensino médio para os jovens desse país”, respondeu Santana.

O ministro também respondeu a uma das reivindicações da carta dos estudantes sobre os reitores interventores colocados no cargo por Bolsonaro a despeito da escolha eleitoral das universidades. “Vocês têm o compromisso do presidente todo reitor eleito será empossado”. 

Foto:@yuri_salvador

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