Para senadora Fátima Bezerra (PT-RN) a Reforma da Previdência vai tornar o magistério ainda menos atrativo para os jovens egressos do ensino superior
A semana que começou (04/12) é decisiva para o encaminhamento da votação da Reforma da Previdência proposta pela governo ilegítimo de Michel Temer (PMDB). O presidente tem utilizado de inúmeras artimanhas para convencer parlamentares a aprovar as mudanças no sistema previdenciário no país. Apresentada em dezembro, o texto sofreu alterações na comissão especial da Câmara, onde foi aprovado e precisa ser acatado pelo plenário da casa por duas vezes. Depois disso se aceito, segue para o Senado.
O site da UNE entrevistou a senadora Fátima Bezerra (PT-RN) para saber sobre o teor da nova proposta e seus impactos sobre a educação brasileira. Durante o trâmite da Reforma Trabalhista em Julho, a senadora potiguar protagonizou um protesto junto com as colegas Gleisi Hoffmann (PT-PR), Vanessa Graziotin (PCdoB-AM) que repercutiu em todo o Brasil ao ocuparem a mesa diretora do Senado impedindo por mais de 6 horas a votação das mudanças que afetaram para muito pior a vida de milhares de trabalhadores brasileiros. Nas redes sociais elas foram chamadas de “guerreiras da resistência”.
Para Bezerra a Reforma da Previdência vai tornar o magistério ainda menos atrativo para os jovens egressos do ensino superior. “Vamos aprofundar a problemática da falta de professores para determinadas disciplinas da educação básica. A política de valorização dos profissionais da educação inscrita no Plano Nacional de Educação será jogada na lata de lixo. Desvalorização dos profissionais da educação é sinônimo de ensino público com menos qualidade”, afirmou.
Leia na íntegra:
O novo texto da reforma da Previdência que está na Câmara é melhor para os trabalhadores do que aquele apresentado em dezembro pelo governo?
Qual a perspectiva de aprovação do projeto da reforma da Previdência no Senado?
A senadora foi autora de um requerimento para debater os impactos da reforma da Previdência na educação. Qual devem ser os efeitos no ensino público?
No caso dos professores da educação básica, o novo texto mantém a elevação da idade mínima de aposentadoria para 60 anos, sem distinção entre homens e mulheres, e o tempo de contribuição de 40 anos para acesso à aposentadoria integral. Com o fim da aposentadoria especial do magistério, a carreira se tornará ainda menos atrativa para os jovens egressos do ensino superior. Vamos aprofundar a problemática da falta de professores para determinadas disciplinas da educação básica. A política de valorização dos profissionais da educação inscrita no Plano Nacional de Educação será jogada na lata de lixo. Desvalorização dos profissionais da educação é sinônimo de ensino público com menos qualidade.
O Relatório final da CPI da Previdência afirmou o que os movimentos sociais já vinham alertando: que não existe um déficit na Previdência. Mesmo assim é necessário fazer alguma reforma?
Existem estudiosos, inclusive do campo progressista, que reivindicam a necessidade de reformas progressivas, de acordo a mudança do perfil demográfico da população, levando-se em consideração as desigualdades regionais. Há também aqueles que defendem que não pode haver diferença entre as regras para aposentadoria dos trabalhadores do setor privado e as regras para aposentadoria dos servidores públicos. O relatório da CPI da Previdência, aprovado por unanimidade, comprova que não há déficit. Haverá déficit no futuro, com o envelhecimento da população? É provável. Devemos debater uma reforma que dificulta o acesso dos trabalhadores e da população mais pobre à aposentadoria sem antes debater a taxação de lucros e dividendos e de grandes fortunas? Acredito que não.