Reconhecimento do Conselho Universitário reforça a luta por memória, verdade e justiça e integra o movimento de retratação das universidades aos perseguidos políticos da ditadura militar

O jornalista e professor Vladimir Herzog foi homenageado com o título de Doutor Honoris Causa, concedido nesta terça-feira (24/2) pelo Conselho Universitário da Universidade de São Paulo (USP). A homenagem reconhece sua trajetória em defesa dos direitos humanos, da democracia e da liberdade de imprensa.

Professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA-USP), Herzog foi perseguido pela ditadura militar, preso, torturado e assassinado em outubro de 1975 por agentes do DOI-CODI, em São Paulo. A tentativa do regime de forjar a versão de suicídio foi desmontada pela mobilização da sociedade e pela luta persistente de familiares, jornalistas, estudantes e movimentos sociais por memória, verdade e justiça.

O assassinato de Herzog provocou uma das maiores manifestações públicas contra a ditadura, com o histórico culto ecumênico realizado na Catedral da Sé, que reuniu milhares de pessoas e se tornou símbolo da resistência democrática.

Movimento de retratação histórica

A concessão do título integra um movimento mais amplo de revisão histórica e retratação por parte das instituições de ensino superior brasileiras em relação a estudantes, professores e trabalhadores perseguidos politicamente durante o regime militar.

Nos últimos anos, universidades públicas têm reconhecido formalmente violações cometidas pelo Estado, anulado punições administrativas impostas a perseguidos políticos e concedido títulos honoríficos póstumos como forma de reparação simbólica. Trata-se de um processo que reafirma o compromisso das instituições com os valores democráticos e com a defesa intransigente da liberdade acadêmica. Para o DCE da USP, a concessão do título “representa uma vitória na luta por memória, verdade, justiça e reparação por todos aqueles que lutaram durante a ditadura. Sua memória segue viva e nos inspira a seguir lutando”.