Debate no 60º Conune reúne lideranças progressistas e aponta caminhos de enfrentamento ao conservadorismo e à desigualdade estrutural no Brasil

Nesta quinta-feira (17), durante o 60º Congresso da UNE, lideranças políticas e educadoras se reuniram para discutir o papel da juventude no enfrentamento à extrema-direita no Brasil. O debate foi marcado pela diversidade de visões, mas também pela unidade na defesa da democracia, da soberania e da justiça social.

A atividade contou com falas de representantes de diferentes setores da esquerda brasileira, que convergiram na ideia de que o avanço do conservadorismo e do fascismo precisa ser contido com organização popular, protagonismo estudantil e coragem política.

Foto: @brunnomartins

“A combatividade da juventude precisa ser recuperada”

Eduardo Matos, militante da UJC destacou que o fascismo tem alvos definidos no Brasil: os jovens, as mulheres, a população negra e a comunidade LGBTQIA+. Ele lembrou que os crimes de ódio têm crescido nos últimos anos e defendeu que a resposta precisa ser firme. “É preciso fazer eles terem medo de novo”, afirmou.

Matos resgatou ainda que na história a juventude sempre teve um papel fundamental no enfrentamento da direita e do fascismo no mundo. “Aqui no Brasil, a nossa UNE, em 1942, ocupou o Clube Germânia, que organizava e reunia os nazistas nacionais. Colocamos eles para correr e ocupamos a sede deles. É essa combatividade que temos que recuperar”.

A radicalização necessária: enfrentar o agronegócio e investir em educação

Para Leo Péricles, da Unidade Popular, a conjuntura atual abre espaço para uma radicalização no sentido de disputar o modelo de país. Ele defendeu um investimento massivo em educação pública, financiado com recursos que hoje alimentam o agronegócio e outras estruturas concentradoras de renda.

“Qualquer possibilidade de desenvolvimento passa por fazer o enfrentamento ao agronegócio”, defendeu. E completou: “Eles não têm interesse em mudar nada porque ficam ricos com essa estrutura de país atrasado, que mantém milhares de pessoas passando fome, trabalhando em serviços extremamente precarizados”.

Péricles também alertou para os riscos da perda de soberania e a redução do Brasil a um mero exportador de matéria-prima. “Temos que lutar pelo nosso território e por um projeto de país que sirva ao povo brasileiro.”

Foto: @brunnomartins

“É possível confiar no povo brasileiro”

A pedagoga e ex-presidenta da UNE, Marianna Dias, trouxe uma leitura didática e política sobre o enfrentamento à extrema-direita. Para ela, o povo brasileiro não é conservador ou alienado por natureza, como muitas vezes se tenta propagar.

“Devemos ter a convicção de que é possível confiar no povo brasileiro, que ele é, por sua natureza, revoltado e indignado. Um povo que é feliz por teimosia, apesar da miséria, é um povo que deve ser credibilizado”, afirmou.

Marianna também ressaltou o poder da educação e da sala de aula como poderoso instrumento político. “A sala de aula deve ser uma assembleia permanente de diálogo com a população. Assim poderemos conquistar mais contatos e disputar a consciência das pessoas na guerra contra a extrema-direita.” Citando Gilberto Gil, concluiu: “O povo sabe o que quer, mas também quer o que não sabe. A UNE tem a possibilidade de mostrar ao povo o que ele quer e ainda não sabe”.

Foto: @brunnomartins

Defesa da soberania e do meio ambiente

A deputada estadual Rosa Amorim (PT/PE) encerrou o debate com um chamado direto à mobilização estudantil em defesa da soberania nacional. “Defender a universidade pública gratuita e a pesquisa brasileira é defender a soberania brasileira”, afirmou, saudando os estudantes que vieram de todos os cantos do país ao Congresso da UNE.

Rosa também denunciou a recente aprovação no Congresso Nacional de um projeto que, segundo ela, “passou a boiada” ao flexibilizar regras ambientais. E lançou um apelo: “Este é o momento em que o Congresso da UNE precisa sair daqui com uma mensagem: Lula, vete o PL da Devastação”.

*Por Cristiane Tada